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Entrevista: Transplante de terreno para vaso

Lombardo – Maria Emília, sabe transplantar uma planta?
Maria Emília – Sim, não é difícil. Já fiz muitos transplantes. Às vezes as plantas pegam bem, outras não... depende.
Lombardo – Depende do quê?
Maria Emília – Bem, é preciso ter cuidado com a raiz, cobri-la bem com terra, deixá-la à profundidade desejada, regar adequadamente... até a localização definitiva é importante.
Lombardo – Pode fazer um transplante para que eu possa ver? Por exemplo, estou a ver aí uma trepadeira pequenina. Pode ensinar-me a retirá-la do terreno?
Maria Emília – Sim, é uma trepadeira que aqui veio parar por alguma semente que o vento trouxe. Como é pequena é mais fácil de a retirar da terra.
Lombardo – O que é preciso? Basta puxar?
Maria Emília – Puxar? Não, isso nunca se deve fazer. Vou utilizar uma pequena enxada para a retirar. Lanço a enxada longe da planta para ter a certeza que não corto a raiz. Como a planta ainda é pequena, a raiz não está profunda, por isso apenas com dois ou três acertos na terra ela ficará pronta para ser retirada.
Lombardo – Esteve a chover, a terra está muito molhada. Em tempo seco não é conveniente molhar a terra para facilitar a retirada da planta do terreno?
Maria Emília– Sim, há quem faça isso e de facto com o terreno mole é muito mais simples de arrancar a planta. Olhe, está a ver? Já aqui está.
Convém sempre que a raiz venha acompanhada com um bom bocado de terra. Vou por a planta dentro de um saco para que a possa levar para sua casa, mas antes disso deixe ver se há por aqui mais alguma lagarta…
Lombardo – Sim, faça-me esse favor. Não quero levar lagartas para casa.
Maria Emília – Olhe que as lagartas fazem muito bem à terra…
Lombardo – Ainda assim. Muito obrigada pela planta. Mas, e se não for abusar, se eu quisesse uma planta num vaso, como faria para garantir que ela sobrevivia a um transplante?
Maria Emília – Bem, o processo é o mesmo, só que em vez de a pôr no saco, vai directamente para o vaso. Quer ver como costumo fazer? É assim: pego num vaso (se já tiver sido usado, convém ser lavado primeiro e até desinfectado, não vá a nova planta ser contagiada com alguma doença ou praga da anterior. Mas agora, para ser mais rápido, vou apenas sacudi-lo).
Lombardo – Bem visto. Lava o vaso com detergente, é isso?
Maria Emília – Sim, ou com uma sabonária.
Lombardo – E depois?
Maria Emília – Depois começo por colocar no fundo do vaso alguns pedaços de tijolo para facilitar a drenagem da água. Também posso utilizar casca de pinheiro, mas normalmente ponho tijolo. De seguida, deito alguma terra e retiro a planta do terreno garantindo que a raiz vem coberta com um bom pedaço de terra. A planta fica no centro do vaso e vou deitando terra à volta de forma a ficar bem compacta e segura. No final, comprime-se a terra e rega-se bem.
Lombardo – Vejo que também deitou casca de pinheiro por cima?
Maria Emília – Ah, é só para que o vaso fique mais bonito para a fotografia. Mas na verdade a casca de pinheiro serve também para proteger a raiz da planta, quer do tempo quente (porque acumula humidade), quer do tempo frio (protege das geadas).
Lombardo – Posso ficar também com esta planta envasada?
Maria Emília – Bem eu ia pô-la na varanda da minha cozinha, mas se….
Lombardo – Agradeço. E releve o abuso, sff. Obrigado.





