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Entrevista: Cipreste-corta_sebes

Lombardo - Bom dia, Sr. Martins. Que sebe enorme….
António Martins - Sim, na realidade é uma espécie de árvore conífera da família do cipreste. Normalmente é utilizada enquanto divisória, para resguardo de ventos ou como ornamentação de um jardim.
Lombardo - Que altura tem?
António Martins - Esta em particular tem cerca de dois metros e meio, mas o normal é vê-las por aí com cerca de 50 centímetros a um metro. A altura varia consoante a poda que cada um faz.
Lombardo - Já deve ter muitos anos....
António Martins - Olhe, foi plantada para resguardo dos ventos norte e servir de divisória. E já lá vão cerca de 10 anos. Mas agora estou a pensar arrancá-la.
Lombardo - Porquê?
António Martins - Mais tarde ou mais cedo vai ter de sair daqui. As raízes estão a engrossar e começam a danificar o asfalto. Como cresceu muito, não consigo agora podá-la para que fique com uma altura de um metro. Hoje queria uma sebe mais baixa. Mas podá-la a essa altura significaria muito provavelmente que iria secar. Teria de usar uma moto serra e os troncos ficariam tão baixos… acho que não iria resistir, já para não dizer que o seu interior deve estar despido de folhas que já não se iriam renovar.
Lombardo - E que sebe está a pensar por aqui no lugar desta?
António Martins - Eventualmente uma Pyracantha. Dá umas flores brancas e uns bagos vermelhos. É bonita e cresce até 4 metros. Dá-se bem ao sol e à sombra. E também convém podar das vezes por ano – uma na Primavera e outra no Verão.
Lombardo - Lembra-se de como a plantou esta sebe? Suponho que a comprou muito pequena. Com que distância plantou os ciprestes entre eles?
António Martins - As plantas foram adquiridas em pequenos sacos de plástico com terra, com uma altura de cerca de 20 cm. Foram plantadas em covas com um profundidade de cerca de 20 a 25 cm com terra previamente tratada (adubação) a um distância de 50 cm entre elas. As raízes precisam de se desenvolver e a própria sebe alarga, fica robusta. Precisam de espaço.
Lombardo - É de crescimento rápido ou lento?
António Martins - O crescimento é rápido. E a poda que lhe fazemos todos os anos, tanto em altura como em largura acaba sempre por influenciar o seu desenvolvimento.
Lombardo - Desbastam-na todos os anos?
António Martins - Sim duas vezes ao ano – uma no inicio da Primavera e outra no final do Verão.
Lombardo - Existe alguma técnica especial para o corte da sebe?
António Martins - Utilizo uma máquina eléctrica, um corta sebes, mas também as há a gasolina, embora na minha opinião o eléctrico acaba por ser mais leve e mais prático. Em complemento utilizo ainda duas tesouras de poda: uma para aparar, mais pequena e leve, e outra maior para cortar ramos mais grossos.
Lombardo - Como consegue cortar uma sebe tão alta? O que faz para chegar até ao cimo dos seus dois metros e meio?
António Martins - Como a sebe é alta e larga utilizo um andaime de pedreiro, o que me facilita o corte na vertical e na horizontal. Quando o meu filho está cá, também utilizamos outra técnica – vamos buscar a carrinha de caixa aberta e é mais fácil cortar a sebe por cima porque a carrinha vai andando conforme o necessário em vez de andarmos a subir e a descer andaimes.
Lombardo - Quanto tempo demora a podá-la?
António Martins - Esta sebe é enorme - tem cerca de 2,50 X 0,90 com 50 m de comprimento. Demoro aproximadamente 10 a 12 horas para a cortar.
Lombardo - Que material de protecção utiliza para o corte?
António Martins - Uso luvas. Mas é preciso cuidado com os dedos. Estas máquinas não são para brincadeiras. Também se deve usar uma viseira protectora, mas às vezes faz muito calor e acabo por não a usar. Mas devia, devia.
Lombardo - Uma pessoa com menos musculatura, por exemplo, como eu, poderia cortar esta sebe?
António Martins - O trabalho do corte é fatigante porque temos de andar a subir e descer andaimes e andar com a máquina na posição de corte, geralmente de cima para baixo, mas qualquer pessoa o pode fazer.
Lombardo - Porquê uma serra eléctrica? Não é perigosa nos dias de chuva? Ou as sebes não se podam à chuva?
António Martins - Geralmente as sebes devem cortar-se em tempo seco e sem chuva, para maior facilidade de corte e limpeza da sebe.
Lombardo - Que manutenção faz à serra?
António Martins - A manutenção do corta sebes consiste apenas em se olear a parte cortante, uma vez que as lâminas deslizam uma sobre a outra – tipo tesouras. São as chamadas lâminas de corte. No final de cada poda é necessário também afiar as lâminas. Costumo utilizar um esmeril pequeno (pedra de afiar que roda com a ajuda de um berbequim) ou uma lima de ferro.
Lombardo - Guarda-a nalgum local próprio para o efeito? O que faz para não ganhar ferrugem?
António Martins - Depois do serviço feito e da limpeza da parte cortada, limpa-se também a máquina, coloca-se um pouco de óleo nas lâminas cortantes e guarda-se em local seco e sem humidade.
Lombardo - Qual a diferença entre uma serra eléctrica e uma a gasolina?
António Martins - A serra eléctrica é muito mais leve - o motor é muito mais leve que o da gasolina, que é um motor de explosão. É ainda mais económica. Como a sebe fica perto de casa, é fácil ligar a máquina à corrente. Preciso apenas de uma extensão comprida. Acresce que a manutenção de um motor eléctrico é mais fácil que o do motor a gasolina este tem velas (que se podem afogar), é preciso por óleo no motor, etc. Digamos que o corta sebes a gasolina é mais para profissionais. É muito mais potente. Um amador deve adquirir um corta sebes eléctrico – a escolha do interessados deve residir apenas se o compra com ou sem bateria.
Lombardo - Para onde levam os detritos da poda?
António Martins – São levados na carrinha para o meio do pomar, deixados numa zona sem árvores, para no Inverno se poderem queimar.
Lombardo - Como é da rega?
António Martins - Tenho um sistema de gota-a-gota que é ligado no verão. Quando está muito calor ligo-o todos os dias. Este sistema está ligado a um temporizador que vai dando a ordem de rega conforme a sua programação.
Lombardo – Sr. Martins, se precisar de ajuda, já sabe. Calculo que o seu filho não viva longe… ih, Ih…
António Martins – Muito bem, Sr. Lombardo, muito bem… Sempre no seu melhor!








































