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Entrevista: Manjerico

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Bom dia, Maria Emília!

Maria Emília – Bom dia, Sr. Lombardo!

Lombardo – Já estamos outra vez nos Santos.

Maria Emília – Ah, pois, o tempo não pára.

Lombardo – Vinha cá ver se me dispensava uns manjericos para alegrar a quinta do Zé. Ouvi dizer que os tinha com fartura.

 

 

 

Maria Emília – Bem, lá ter tenho, mas não são assim tantos. São dois ou três que semeei no início deste ano.

Lombardo – Quando fez a sementeira?

Maria Emília – Em Fevereiro. Pus as sementes em vaso.

Lombardo – E onde arranjou as sementes?

 

 

 

Maria Emília – Então, o manjerico dá muita semente. Basta esfarelar a planta, junto à flor.

 

 

 

Maria Emília – A Quitas ofereceu-me dois manjericos pequenos faz agora um ano. Eram assim deste tamanho.

 

 

 

 

 

Lombardo – E deixou-os secar, foi isso?

Maria Emília – Oh Senhor Lombardo, os manjericos vão crescendo, não são sempre daquele tamanho que se compra nos Santos! O problema é que depois das festas se esquecem deles e acabam por secar com sede. Mas se lhes derem atenção crescem mais.

 

 

 

Maria Emília – Em finais de Agosto, Setembro começam a deitar flor.

 

 

 

Maria Emília – Depois da flor e do fruto…

 

 

 

Maria Emília – …começam-se a ver as sementes. São umas bolinhas muito pequenas que começam por ser verdes…

 

 

 

Maria Emília – ….e depois escurecem até ficarem completamente pretas.

 

 

 

Maria Emília – É sinal que já estão secas e se podem guardar para que no ano seguinte. Em Fevereiro podem semear-se.

 

 

 

Maria Emília – Mas têm de secar bem, para ficarem bem feitas. Não as deve tirar ainda moles.

 

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Lombardo – Que lindas sementes…

Maria Emília – E cada uma destas sementes dá um manjerico. Convém deitar algumas no mesmo vaso para que se possa formar um tufo grande.

Lombardo – É preciso por as sementes a secar?

 

 

 

Maria Emília – Não. Depois de as ter basta guarda-las num frasquito. Para não se perderem.

Lombardo – Essas sementes fazem-me lembrar outras….

Maria Emília – Deve estar a lembrar-se das sementes do nabo. De facto, são parecidas.

 

 

 

Lombardo – Nunca vi a flor… é bonita?

 

 

 

Maria Emília – É branca e muito miudinha.

 

 

 

Lombardo – Porque é que os manjericos não se podem cheirar?

Maria Emília – O povo diz que não gostam, que morrem. Deve ser colocada a mão por cima para que fique impregnada do seu cheiro e depois levá-la ao nariz. Mas penso que isso é um mito. Na verdade, se cheirar um manjerico com o seu grande nariz nada de mal lhe acontecerá. O manjerico só morre se o estiver sempre a abanar de forma intensa. Danifica-lhe as folhas.

 

 

 

Lombardo – Grande nariz? É do tamanho normal. Grande porquê? Uhm? Ai!!!! Anda aqui uma abelha…. Já vi que o manjerico atrai insectos.

 

 

 

Maria Emília – É uma abelha de mel. Temos de as proteger. Mas sabe que, na verdade, dizem que o manjerico é um repelente de moscas e mosquitos. Não apenas os afasta como deixa a casa com um cheirinho agradável.

 

 

 

Lombardo – Esta planta dá-se bem ao sol?

Maria Emília – Sim, gosta de sol e de luz.

Lombardo – E rega-a bastante?

Maria Emília- Todos os dias lhe deito um pinguito de água.

 

 

 

Lombardo – Sei quem o tenha como erva condimentar. Também o usa na cozinha?

Maria Emília - Nunca usei, mas conheço quem deite as suas folhas em saladas e tempere tomate, usam-nas em massas… dizem que tem um sabor muito agradável.

Lombardo – O Zé já está ali a chamar por mim. Está a vê-lo? A acenar? Está sempre atrás de mim.

Maria Emília – Estou, sim senhor. Vá lá ter com o Sr. Zé.

Lombardo – É pena não ter muitos manjericos… resta-me ir buscar rosmaninho à serra para fazer a fogueira!

Maria Emília - Boa sorte na apanha, Sr. Lombardo!

 

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