Aprender de A a Z
Entrevista: Batata (Oleiros)
Este batatal sito em Oleiros pertence a uns familiares do Senhor António Martins, nosso colaborador habitual. Para além das suas actividades profissionais, há sempre tempo para ajudar toda a família na lavoura.
Lombardo – Viemos até aqui para ver a apanha da batata como se fazia antigamente, uma família inteira com a enxada na mão, mas parece que nem tudo correu bem, não é assim?
António Martins – Sim, está aqui um cheiro nauseabundo a batata podre. Apodreceram ainda debaixo da terra.
Lombardo – Porquê?
António Martins – O batatal foi atacado pela borboleta. A rama ficou amarela, pensava-se que as batatas estavam boas para serem arrancadas e ao retirarem-nas da terra viram que a grande maioria estava quase toda podre. Embora fossem regadas diariamente, a folha começou a ficar muito amarela, de uma semana para a outra ficou toda amarela.
Lombardo – E agora? O que vão fazer?
António Martins – Estão a enterrá-las novamente. Aproveitam-se poucas. E as que se aproveitam, não resistem dois meses. Vão apodrecer todas também.
Lombardo – Então agora já não vale a pena deitar o pó contra a borboleta naquelas que ainda estão boas?
António Martins – Não, não vale a pena. Já é tarde.
Lombardo – Mas porque é que isto aconteceu?
António Martins – Este ano não as curaram. Deu-lhes a maleita. Nada a fazer. Costumava passar por aqui, olhava para o batatal que parecia estar a desenvolver-se tão bem…. Afinal… Isto propaga-se que é uma coisa pavorosa….
Lombardo – Quer dizer, a rama amareleceu, todos pensavam que estava na altura de colher a produção e afinal… tudo podre!
António Martins – Estas terras são assim. E se não forem devidamente protegidas com um insecticida, para o ano dá-lhes outra vez. Tem que haver curas.
Lombardo – Quantas sacas se aproveitaram?
António Martins – Cerca de 14…. O ano passado foram para cima de 60!
Lombardo – Obrigado pela sua colaboração e maior sucesso para 2011.








