Aprender de A a Z
Entrevista: Romãzeira

Lombardo – Boa tarde, Maria Emília. A sua romãzeira é pequena, mas está carregada!
Maria Emília – Bom dia, Sr. Lombardo. Pois, ela era maior, mas uma parte secou. Isto é o que resta dela. Depois também a vou cortando todos os anos, os bocados secos, os ramos mortos, também para evitar que tombe para a caminheira. Mas olhe que o fruto é um pouco ácido.
Lombardo – Quando é que podemos comer as romãs?
Maria Emília – Oh, isso só lá para Dezembro. Agora ainda estão verdes.
Lombardo – Precisam de ficar vermelhas para serem colhidas?
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Maria Emília – Sim, mas não é preciso ficarem muito vermelhas. É só um toquezinho de cor. Depois, ainda na árvore vão começar a abrir…
Lombardo – Ainda me lembro de a ver em flor…
Maria Emília – E é bem bonita, não é? Vermelhinha como o fruto.
Lombardo – Sim, é pois. Já vi romãzeiras a fazerem de cerca pela sua reconhecida beleza.
Maria Emília – E sabe que há quem use os bagos para ornamentar mesas? Também são muito bonitos.
Maria Emília – Bem, mas assim que começa a morrer a flor, lá vem o fruto, muito pequenino. Depois começa a crescer, a desenvolver-se e em Dezembro já as podemos comer. Lá pelo Natal, no 1.º de Janeiro… Se bem que estas até nem são muito doces... nunca foram e a árvore já está aí há uma série de anos.
Lombardo – Ganham bicho?
Maria Emília – Nunca lhe vi grande bicho. Apenas umas formigas. Mas a cochinilha e o pulgão andam sempre por aqui.
Maria Emília – Onde já vi romãzeiras boas foi lá em baixo no Dr. Rui. E a Custódia, a mãe da Maria da Conceição, que lhe morreu o marido há pouco tempo, também as tem lá. E essas são boas. Um dia ainda hei-de falar à Luísa Esgravanada, que costuma andar a trabalhar com o Sr. Virgílio para ver se faz aqui um enxerto. Ela deve saber fazer uma enxertia da romãzeira. A Custódia dá-me uns ramitos e a Esgravanada faz a enxertia na altura certa.
Lombardo – Qual é a altura certa?
Maria Emília – Lá para Março, no início da primavera. Quando começam a aparecer os primeiros botões, mas antes destes se desenvolverem por completo.
Lombardo – A romãzeira perde as folhas no inverno, não é?
Maria Emília – Sim, fica despida, ficam só os ramos. Mas até fica bonita. O tronco é meio acinzentado.
Lombardo – A romãzeira é semeada ou plantada?
Maria Emília – Então, isso é como quiser. Pode tentar cortar um bom ramo e colocá-lo na terra. É fácil de enraizar. Ou então pode semear. Sementes é o que não faltam.
Lombardo – Onde estão as sementes?
Maria Emília –Então, as sementes são a parte da romã que você come.
Lombardo – Aqueles grãos vermelhos?
Maria Emília – Não são bem grãos – são uma espécie de bagos com polpa à volta. Dentro da polpa estão as sementes.
Lombardo – E calculo que façam bem à saúde…
Maria Emília – Sim, olhe, para quem sofre de parasitas intestinais é do melhor.
Lombardo – Bem, deixe-me ir à minha vida. Volto cá em Dezembro, eh, eh…
Maria Emília – Pode voltar, mas olhe que as romãs não são lá muito doces. Pode ser que a Luísa Esgravanada resolva o assunto…. Mas se quiser levar umas sementes… olhe já diz o povo que “Se levar na carteira três sementes de romã dinheiro nunca há-de faltar”. É uma crença popular.
Lombardo – Agora não. Estou sem carteira. Até logo, Maria Emília!



























