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Entrevista: Medronheiro

 

 

 

 
 
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João Rodrigues

 

Colaborador Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Que fruto saboroso, Sr. João!

João Rodrigues – É medronho! É um fruto óptimo para fazer aguardente. Estamos na altura da colheita – final do Outono, início do Inverno.

 

 

 

Lombardo – Já tem este arbusto há muito tempo?

 

 

 

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João Rodrigues – Há cerca de 5 anos, talvez. Comprei-o ainda pequeno. Vinha num vaso e transplantei-o para aqui. Embora seja sensível às geadas (e aqui em Viseu temos algumas), o medronheiro vai conseguindo estar à altura. É um arbusto que normalmente se dá melhor em zonas mais quentes, no Algarve, por exemplo.

Lombardo – Que cuidados tem com este arbusto durante o ano?

João Rodrigues – Não requer grandes cuidados. Apenas regar regularmente no Verão e mais recentemente comecei a podá-lo na Primavera. Uma poda levezinha. Este arbusto, como todos os outros de folha persistente (como o azevinho, por ex.), só deve ser podado ao fim de alguns anos e desde que esteja muito alto ou a começar a ficar despido de folhas na sua base. Repare – pode atingir 6 metros de altura. Fica muito alto!

Lombardo – A flor é bonita?

João Rodrigues – Sim, muito.

 

 

 

Lombardo – O fruto é muito doce, não consigo parar de comê-lo… come-se com ou sem casca?

 

 

 

João Rodrigues – É só abrir e comer. Há quem tire a sua casca e há quem goste de o comer com ela. Pessoalmente gosto é de fazer uma doce aguardente.

Lombardo – Pode dar-me a receita para ajudar a combater uma noite fria? (risos)

João Rodrigues – Vou tentar descrever o processo. Mas, se reparar, com a maior parte dos frutos é possível fazer uma boa aguardente – é o caso da maça, da framboesa, da pêra... etc. E quem diz aguardente, também pode falar em licor. Bem, mas então para fazer a aguardente tenho de colher o fruto que não pode estar muito maduro. De seguida é deixado dentro de cubas de inox onde permanece por um mês e meio a dois meses com vista à fermentação. Após a fermentação, a fruta transforma-se em massa a qual é destilada numa caldeira em cobre que fica sobre o fogo (o fogo a lenha é sempre melhor). Este processo de destilação demora cerca de 3 a 5 horas a ser concluído. Por fim, deita-se o líquido em garrafas de vidro.

Lombardo – Não leva açúcar?

João Rodrigues – Claro que não, toda a fruta já tem açúcar. O processo de fermentação mais não é que a fruta utilizar o seu próprio açúcar quando está a azedar.

Lombardo – Acho que percebi. E também acho que seria uma boa ideia fazerem uma aguardente de cenouras! Mas isso, claro, ninguém se lembra!...

João Rodrigues – Bem, isso acho que nem vale a pena tentar! (risos).

Lombardo – Estes frutos têm alguma propriedade medicinal?

 

 

 

João Rodrigues – Bem, já ouvi dizer que são óptimos no combate contra doenças do fígado.

Lombardo – Obrigado pelos seus esclarecimentos. Está muito frio. Acho que vou andando… hip! Estou a senti-me como se tivesse bebido meia-garrafa de vinho… hip!

João Rodrigues –Não vai a conduzir, pois não? Olhe que se a polícia o apanha….

 

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