Aprender    de A a Z

 

Entrevista: Medronheiro

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Boa tarde, Maria Emília! Hoje vou apanhar medronhos. Quer vir comigo?.

Maria Emília – Boa tarde. Eu tinha aqui um garrafão para ir buscar água à fonte, mas vou lá depois. Eu ajudo-o.

Lombardo – Ora já chegámos. Bem me parecia que os tinha visto por aqui.

 

 

 

Maria Emília – Estão com um bocadinho de ferrugem, mas vou já comer um. Dizem que embebedam. Devíamos arranjar um medronheiro baixinho para os conseguirmos apanhar. Estes estão muito altos.

 

 

 

Icone video
 

 

Lombardo – O que significa que estão com ferrugem?

Maria Emília – É quando têm esta cor preta… mas eles ainda assim são bons para comer.

 

 

 

Lombardo – Estão muitos no chão. Não os podemos aproveitar? Parecem ser bons.

 

 

 

Maria Emília – Olhe, se eu fizesse aguardente apanhava-os. Estão mais maduros, por isso é que caíram no chão.

Lombardo – Nunca fez aguardente?

Maria Emília – Não, nunca. Mas olhe que são muito docinhos.

 

 

 

Lombardo – Não se deviam lavar antes de se comerem?

 

 

 

Maria Emília – Se forem lavados tanto melhor. Mas eles agora estão lavados, com esta chuva que caiu…

 

 

 

Icone video
 

 

Lombardo – Olhe aqui este carreiro… deve ser por aqui que os vêm apanhar. Veja lá se cai, não vá já sentir o efeito do álcool…

Maria Emília – Eu não. Também não como muitos. Às vezes calha a passar e vê-los. Ponho um ou dois na boca. Aqui no campo não se liga muito a isto, mas se passar por eles apanho e como e os outros naturalmente fazem a mesma coisa.

 

 

 

Lombardo – Mas ali à frente há mais… tantas silvas…. Eles amadurecem fora da árvore?

 

 

 

Maria Emília – Não sei mas podemos experimentar e pô-los num prato, mas são tão miuditos, olhe tão miuditos. Já as castanhas estavam assim. Este ano não prestou…, vou aqui apanha-los por este lado.

Lombardo – Os ramos são frágeis, estão sempre a partir.

Maria Emília – Pois, isto parte com facilidade.

Lombardo – É engraçado… há medronheiros para todos os gostos: com flor, sem fruto e sem flor, com fruto e flor…

 

 

 

 

 

 

 

Maria Emília – O medronheiro é assim, sabe. Os frutos não amadurecem todos ao mesmo tempo. Uns estão verdes, depois vão ficando amarelos e por fim vermelhos, quando ficam maduros. Mas demoram muito tempo a amadurecer.

 

 

 

 

 

 

 

Maria Emília – E por isso há sempre flor. Está a vê-la? Esbranquiçada?

 

 

 

Lombardo – Nunca plantou medronheiros?

 

 

 

Maria Emília – Não, há tantos por aqui. Mas há quem até os utilize para fazer sebes. Ficam bonitas, mas é preciso podá-los. Estes aqui já estão muito altos.

 

 

 

Maria Emília – E a sementeira também é simples de fazer – basta esmagar o fruto e misturar com um pouco de estrume de peru e porco. Depois cobre-se ligeiramente de terra, não muita. Pode fazê-la lá para Outubro ou Novembro. Mas olhe que para dar fruto vai demorar algum tempo – anos!

 

 

 

Lombardo – Onde estão a sementes?

Maria Emília – Dentro do fruto. São pequenas como as da fisália. São muitas e pequenas.

 

 

 

Lombardo – Parece que já tenho os suficientes. Vou fazer um bolo. E comer alguns, também.

 

 

 

Icone video
 

 

Maria Emília – Então vamos embora que também deixei o garrafão à porta para ir à fonte.

 

 

 

Lombardo – Venha por aqui. Há menos silvas e apanhamos o carreiro novamente. Sebe que um destes dia encontrei a ….

 

?>