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Entrevista: Marmeleiro

 

 

 

 
 
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Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Ora aqui estão eles, Maria Emília. Este ano até são muitos.

 

 

 

Maria Emília – JÉ para compensar o resto da fruta. Neste ano de 2012 foi tudo uma desgraça! Chuvas e geadas tardias deram cabo da flor. E sem flor não há fruto!!! Este mundo anda do avesso. Não sei o que será de nós todos.

 

 

 

Lombardo – Lá para os lados da minha quinta os nossos marmeleiros também estão carregadinhos. É bonito de se ver o marmeleiral do Zé!

 

 

 

 

 

Maria Emília – Veja-os aqui, tão amarelinhos.

 

 

 

Lombardo – Sim, mas alguns já estão a apodrecer na árvore.

 

 

 

Maria Emília – É a maleita. Como não são tratados, o bicho dá cabo deles! Cai tudo para o chão.

 

 

 

Lombardo – Só tem este marmeleiro pequenino?

 

 

 

Maria Emília – Não, há ali outro muito maior do lado de lá da estrada. Mas olhe que os marmeleiros não costumam ser árvores muito grandes. As maiores não devem passar os 6 metros, mas é raro encontrá-las com esse tamanho.

 

 

 

 

 

Lombardo – Não são árvores lá muito bonitas…

Maria Emília – Pois, são como são. Têm muitos galhos e o tronco é torto…

 

 

 

Maria Emília – Mas olhe que a flor até é bonita. É meia rosada e esbranquiçada, grande e cobre as árvores durante o mês de Maio. E em botão também é muito bonita.

 

 

 

Lombardo – Vai ter aqui muita marmelada

 

 

 

Maria Emília – Olhe, até nem faço muita. Prefiro a geleia. Ao menos no marmelo tudo se aproveita. Há quem faça purés e compotas… gosto de os comer cozidos ou assados no forno. Ficam muito bons. Mas tem razão. Sabe que uma árvore dá cerca de 40Kg de marmelos ou até mais! E nascem frutos que podem vir a pesar mais de meio quilo.

 

 

 

Lombardo – Acredito, olhe só para este….

 

 

 

Lombardo – E sabe porque é que este fruto está envolto numa penugem?

 

 

 

 

 

Maria Emília – Já nasce assim. É para o proteger do frio. Nos países quentes o marmelo não tem sequer esta penugem em volta da casca.

 

 

 

 

 

Lombardo – Como sabe que estão bons para serem colhidos?

 

 

 

Maria Emília – Temos de esperar pelo Outono. Devem ser colhidos imediatamente antes das primeiras geadas. É só olhar para eles, Sr. Lombardo. Se estiverem amarelinhos, grandes, já sem penugem e perfumados já podem ser consumidos.

 

 

 

Lombardo – Como este?

 

 

 

Maria Emília – Sim, pode apanhá-lo já se quiser.

Lombardo – E se não tivesse maduro? Também o podia apanhar? Não se estragava?

 

 

 

Maria Emília – Não – acabava por amadurecer fora da árvore. Sabia que não deve guardar marmelos maduros ao pé de outras frutas?

 

 

 

Lombardo – Porquê?

Maria Emília – Porque são muito perfumados e transmitem o seu odor aos outros frutos e aceleram o seu amadurecimento.

 

 

 

Lombardo – Deixe cá ver… uhmmm, que cheiro intenso. Perfume forte, polpa rija…, e já reparei que os marmelos ou parecem peras ou parecem maças….

 

 

 

Maria Emília – Ah, pois, sabe são de qualidades diferentes. Os que têm forma mais arredondada são mais secos e duros, já aqueles que têm a forma de pêra são mais tenros.

 

 

 

Lombardo – O Inverno aqui chega a ser rigoroso. As árvores não se ressentem?

 

 

 

Maria Emília – É verdade. Apesar de ser um parente próximo da pereira e da macieira, o marmeleiro precisa de menos horas de frio. Mas não obstante o rigor do nosso Inverno tem-se mantido por aqui há já muitos anos. Também está situado entre estas laranjeiras que o abrigam um pouco mais.

 

 

 

Maria Emília – Mas vai sobrevivendo, que é o que se quer, não é verdade? O que é mesmo preciso é que tenha calor na altura da frutificação. Isso e muita luminosidade, que é o que não lhe falta. Mas por vezes o frio ataca-lhe o trono e os ramos….

 

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Lombardo – Nunca pensou em ter mais marmeleiros?

 

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Maria Emília – Não, as que tenho bastam-me. Mas se quisesse podia sempre propagá-lo por estaca ou por mergulhia.

Lombardo – E pode ser enxertado?

Maria Emília – Claro que sim. Olhe, há até quem faça muitos enxertos do marmeleiro com pereiras e macieiras.

Lombardo – E poda?

 

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Maria Emília – A poda deve fazer-se durante os primeiros quatro anos de vida da árvore. Depois disso basta cortar os ramos secos ou doentes no final de cada Inverno.

 

 

 

 

 

Lombardo – Vou ajudá-la a apanhar alguns para fazer a sua geleia e a sobremesa para depois do jantar: marmelo assado! Aguentam muito tempo depois de colhidos?

 

 

 

Maria Emília – Sim, uma semana ou até mais. E só me fazem é bem! É um fruto rico em vitaminas e ajudam no bom funcionamento do aparelho digestivo. Mas olhe que não fica por aqui!

 

 

 

Lombardo – Acredito nisso, Maria Emília, mas veja se acaba a cavaqueira e me ajuda na apanha que eu ando cansado. Olhe, vá por aquele lado, está ali um….

 

 

 

 

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