Aprender de A a Z
Entrevista: Limoeiro

Lombardo – Maria Emília. Nem imagina! Comprei um limoeiro. Preciso de ajuda para o plantar.
Maria Emília – E eu ajudo, pois! Onde o quer plantar?
Lombardo – Não sei. Qual o melhor local?
Maria Emília – Tem de ser soalheiro. O limoeiro gosta de apanhar sol. Tive um durante muitos anos, mas já não dá fruto de há 2 anos para cá. A geada queimou-o e não recuperou.
Lombardo – Então fica aqui. O que acha? O sol permanece durante todo o dia.
Maria Emília – É um bom local – fica perto da casa que também o abriga.
Lombardo – E como é que começamos?
Maria Emília – Vou preparar o terreno. Raspar as ervas, retirar algum do lixo. Esta terra é macia, trabalha-se bem. Vai ser fácil fazer a cova.
Lombardo – Qual vai ser a profundidade do buraco?
Maria Emília – Ainda tem que ser um pouco fundo. Esse limoeiro é um enxerto? Ora deixe cá ver.
Maria Emília – Sim, é um enxerto – para além de ter que ficar com a raiz toda tapada tem de ser enterrado até ao local da enxertia que é aqui, tá a ver? Ainda é necessário cavar um pouco.
Lombardo – Maria Emília, isso não tá fácil…
Maria Emília – Uhm… esteve aqui alguma árvore?
Lombardo – Sim, uma pereira, mas secou. Arranquei-a hoje.
Maria Emília – Estão aqui muitas raízes na terra que têm de ser arrancadas. Senão ainda começam para aí a aparecer rebentos da pereira e o limoeiro acaba por não se desenvolver, atrofia. É preciso retirar estas raízes.
Lombardo – Acha que a cova já está pronta?
Maria Emília – Ainda não deve de estar, mas experimente. Vamos tirar o plástico preto que envolve as raízes do limoeiro e ver qual a altura em relação ao buraco.
Lombardo – Não… a árvore ainda fica um pouco de fora. Apenas as raízes ficam cobertas. Tem que se afundar um pouco mais.
Maria Emília – Vou cavar mais um pouco, mas com este raizame aqui…
Lombardo – Escolhi mal o sítio…
Maria Emília – Veja agora, Sr. Lombardo, se faz o favor.
Lombardo – Ah! Agora está ao nível pretendido.
Maria Emília – Fica assim?
Lombardo – Sim, vamos deitar a terra. Eu seguro na árvore para que não caia e fique direita.
Maria Emília – Vou deitar esta erva para dentro da cova – apodrece e serve de estrume.
Lombardo – Não vai acreditar, mas até já me cheira a limão…
Maria Emília – Ah, pois cheira. Então, é da folha. Cheira bem.
Lombardo – Ora, para o ano já aqui devo ter dois ou três limões!
Maria Emília – Agora calco a terra, deita-se uma pinga de água e vai-se buscar uma cana ou um pau para que o limoeiro fique seguro e não tombe com o vento. Se o vento lhe dá isto sempre o segura mais. Ata-se um baracito ou um aramito em volta… tá ver como se faz? Aperta-se ao de leve para não magoar o troco nem o partir.
Maria Emília – Depois faço também uma caldeira em volta para que a água se mantenha por aqui.
Lombardo – Esta árvore precisa de muita água?
Maria Emília – Agora no início, até pegar, convém ir regando. E mesmo quando for adulto, nomeadamente no Verão, também convém deitar um pouco de água. As árvores também gostam de água. De vez enquando. Quando o calor é muito, em deitando um bocadito de água não faz mal nenhum. Mas também há quem não a dei-te, é verdade.
Lombardo – E adubo?
Maria Emília – Não costumo por para já, mas posso já deitar algum, se quiser. Também não lhe faz mal. Deita-se uma rodela em volta do tronco, mas afastada deste para que não o queime. Eu só costumo por o adubo até que ele vá pegando passado duas ou três semanas.
Maria Emília – Depois tapa-se com terra – com esta fresquidão o adubo acaba por se dissolver por ele. Amanha deita-se mais um bocadito de água e desfaz-se tudo. Vai ficando na terra, não vai logo para a raiz, mas fica perto dela.
Lombardo – Como sabe se o limoeiro está pegado?
Maria Emília – É quando começa a arrebitar. Agora vai esmorecer um bocadito, mas depois vai ficar vivaço outra vez.
Lombardo – Agora, como as noites ainda estão frias, faz geada, como vou proteger a minha árvore?
Maria Emília – Então, tem de por um plástico transparente por cima do limoeiro. Põe-no ao cair da noite e pela manhã tira-se. Mas tem de apanhar ar. Não o abafe!
Lombardo – O limoeiro está bonito… não está?
Maria Emília – Olhe “Deus te acrescente e te livre de má gente”.
Lombardo – Como?
Maria Emília – Deus queira que ele se desenvolva bem e que dê limões. São coisas antigas cá da terra, dos camponeses. É o que interessa, não é?
Lombardo – Sempre a aprender, Maria Emília, sempre…

