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Entrevista: Amoras Silvestres

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Maria Emília – Já há amoras… nesta zona soalheira já amadureceram. É natural que assim seja.

 

 

 

Lombardo – Isso são boas notícias! Serão docinhas?

 

 

 

Maria Emília – Vamos provar! São óptimas. Vou levar algumas. Sabe que elas se aguentam no congelador durante 6 meses?

 

 

 

Lombardo – Acho que prefiro comê-las já. As silvas dão flor?

Maria Emília – Para terem frutos têm de dar flor. É pequena e branca. Aparece em finais de Junho, Julho.

 

 

 

Lombardo – E costuma usá-las na cozinha?

Maria Emília – Não, mas há quem as use na doçaria. Quando era miúda ia com as minhas amigas às amoras. Escondíamo-nos para as esmigalhar e fazer o nosso vinho. Chegávamos a casa todas sujas. E como a nódoa da amora não sai da roupa… está a ver o que era, não é? Veja só como estão as minhas mãos só de as apanhar! Mas até lhe posso dizer que as amoras são na realidade utilizadas no fabrico de vinho.

 

 

 

Lombardo – Faz bem comer amoras?

Maria Emília – Dizem que faz bem a quem tem a doença de Parkinson. Aí! Já me piquei nestas balsas!

Lombardo – Balsas?

Maria Emília – Sim, é como aqui chamamos as silvas. Está a ver os picos! Até se agarram à roupa!

 

 

 

Lombardo – Sim, são pequenos, mas curvos. Até parecem garras. As amoras nascem pretas?

 

 

 

Maria Emília – Não. A flor dá lugar ao fruto. Morrer e a amora começa a aparecer. Primeiro é verde, depois fica vermelha e por fim, preta. É sinal que já está boa para comer.

 

 

 

 

 

 

 

Lombardo – As silvas parece que não acabam. E são enormes. Ninguém cuida delas e ainda assim sobrevivem!

Maria Emília – São uma espécie invasiva. Dão-se bem em terrenos pobres, quase sem água. Basicamente o que querem é sol e que as deixem sossegadas.

 

 

 

Lombardo – Bem, sendo assim, vou deixá-las. Preciso de água para me lavar.

Maria Emília – Olhe, aproveite e faça como eu. Lave-as aqui. Há falta de melhor…

 

 

Lombardo – Sou um pouco esquisito. Vou até casa. Até logo.

Maria Emília – Até logo, Sr. Lombardo!

 

 

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