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Entrevista: Sabugueiro

Lombardo – Olá, Maria Emília !
Maria Emília – Olha o Sr. Lombardo!!!
Lombardo – Vim ter consigo porque ultimamente tenho ouvido falar tanto em sabugueiro e não sei que planta é essa.
Maria Emília – Então, há por aí uns poucos. Também é conhecido por Mestre-João.
Lombardo – Nunca vi. Pode mostrar-me alguns?
Maria Emília – Venha lá até aqui, perto da casa do Lobo. Fica a meio da estrada. Olhe ali, já está a vê-lo?
Lombardo – Aquela árvore grande com flores brancas?
Maria Emília – Sim, é essa mesmo.
Lombardo – Vou aproximar-me para ver melhor.
Maria Emília – Tem de vir por aqui, pelo meio das ervas. Cuidado com as carraças!
Lombardo – Sabe sempre estragar o momento….
Maria Emília – Ou alguma cobra que para aí esteja escondida. Bem, mas não se preocupe porque pelo menos poços ou buracos posso garantir que não os há por aqui.
Lombardo – Fico mais descansado…
Maria Emília – Aqui está ele!
Lombardo – Cheira tão bem!!!
Maria Emília – Cheira, cheira. É pena é as flores não resistirem em jarras, senão ficava com a casa toda perfumada.
É um cheiro muito intenso e doce. Mas ainda assim as flores ainda não abriram todas.
Então mas diga-me lá o que é que tem ouvido falar sobre o sabugueiro?
Lombardo – O perfume das flores, o chá para as constipações…
Maria Emília – Sim, os antigos faziam muito chá das suas flores secas. Eram secas à sombra e apanhadas na véspera do S. João para serem protegidas por este Santo. A flor do sabugueiro chama-se flor de sabugo.
Lombardo – E também ouvi dizer que depois das flores aparecem umas bagas pretas que são vendidas ao quilo em alguns conselhos do país, como Lamego, Tarouca... aquela gente apanha isto e depois anda a secar as bagas ao sol, dias e dias, e depois vendem-nas ao quilo. Ficam com as mãos todas pretas!
Maria Emília – Sim, as bagas que nos deixam as mãos negras. Têm uma cor roxa-escura. Eram muito usadas na altura da fermentação do vinho, para lhe dar cor, mas sem lhe alterar o sabor. Quando o vinho era feito com muitos cachos brancos, davam-lhe alguma coloração com estas bagas comestíveis. Punham um saco delas dentro dos toneis quando o vinho estava a ferver. Também havia quem optasse por pôr no vinho passas de figo seco milheiro, uns figos mais pequenos que eram secos ao sol. Depois de secos punham no tonel.
Lombardo – E serviam só para dar cor ao vinho?
Maria Emília – Pois, que eu saiba, sim. Sabe que há uma lenda muito antiga que conta que a cruz onde Cristo foi crucificado era feita da madeira do sabugueiro.
Lombardo – Porquê?
Maria Emília – Porque quando se espreme o fruto do sabugueiro corre um líquido cor de sangue. Mas é preciso cuidado com esta madeira, porque esta árvore tem na sua composição cianeto.
Maria Emília – Nada de fazer brinquedos com ela para as crianças, apesar do seu tronco convidar a isso, porque além de oco quebra facilmente fazendo desta madeira um material fácil para se trabalhar!
Antigamente, no campo, os caixões e cruzes eram feitos desta madeira, mas nunca berços ou flautas… eram costumes dos antigos.
Lombardo – Não sabia…
Maria Emília – Pois, e mesmo o chá das suas folhas deve ser tratado com muito cuidado.
O melhor é nem bebê-lo, não vá ficar intoxicado ou envenenado com algum dos seus habituais excessos. Mas já um banho de imersão com as flores do sabugueiro…. é do melhor que há. E sabe quem também gosta muito destas flores?
Lombardo – Não.
Maria Emília - Borboletas e aves.
E se fizer uma infusão das folhas do sabugueiro, pode evitar sofrer picadas de insectos.
Lombardo – Não admira, com todo este perfume. É um bom repelente.
Maria Emília – Pois, e se aplicar esta infusão nas plantas está a protege-las do ataque dos pulgões e das lagartas.
Lombardo – A Maria Emília sabe muitas coisas do campo….
Maria Emília – É também das flores que se faz a tintura que está na base da preparação de alguns medicamentos, apesar das flores, dos frutos e da casca também serem utilizados na preparação de muitos medicamentos.
Com as flores podem também fazer-se refrescos, chás, aromatizar licores, vinagres, mel… e até fazer perfumes, sabonetes!
Lombardo - Acha que o sabugueiro já tem sementes que se possam ver?
Maria Emília – Não, ainda está todo em flor.
Maria Emília – Mas deixe cá ver para ver se vemos alguma. Ainda não se conhecem as sementes…
Maria Emília – mas olhe lá para este tronco?
Lombardo – Está coberto de hera.
Maria Emília – Devia ser cortada, é uma praga.
Maria Emília – O ano passado o sabugueiro foi cortado, olhe aqui o cepo, mas já rebentou. Deve ser podado de forma drástica no Inverno para dar folhas grandes e bonitas. Mas atenção, porque esta poda diminui a floração e a frutificação.
Maria Emília – Sabia que a madeira desta árvore fica branca com a “velhice”?
Lombardo – Também não… é como as pessoas… Mas gostava muito de ver as bagas…
Maria Emília – Olhe, talvez lá para meados de Agosto ou Setembro. Agora só consegue ver as flores.
Lombardo – Nessa altura irei ter consigo, Maria Emília. Não me esquecerei!
Maria Emília - Bem, então vamos embora. Vou levar alguns ramitos.
Lombardo - Vamos lá então.
Em inícios de Agosto:
Lombardo – Maria Emília! Oh Maria Emília!!!!
Maria Emília – Diga lá, Sr. Lombardo!
Lombardo – Vamos ver se o sabugueiro já tem bagas?
Maria Emília – Vamos lá então!
Lombardo – Olhe, Maria Emília, Olhe!
Lombardo – Daqui parecem vermelhas.
Maria Emília – Ainda há aí muitas bagas a formarem-se. Estão verdes.
Lombardo – Mas algumas já estão pretas, maduras.
Maria Emília – Sim, mas a maioria ainda está verde. Só lá mais para meados ou final do mês é que devem ficar secas.
Lombardo – Vou apanhar algumas…
Maria Emília – …e esmaga-las para ver o que acontece…
Maria Emília – …vêem-se as sementes!
Maria Emília – Bem, deixe-se lá disso. Voltamos cá depois.
Em finais de Agosto:
Lombardo – Lá está ele!!! Já perdeu algumas folhas.
Maria Emília – Mas ainda tem bagas.
Lombardo – Mas muitas já secaram!
Maria Emília – Bem vou apanhar algumas,
Lombardo – O Outono ainda nem chegou e as folhas já estão a cair…
Maria Emília – São os pronúncios, Sr. Lombardo.
NB – O Ruralidades não se responsabiliza pelo uso indevido de ervas e plantas. Aconselhe-se com um especialista














































































































































