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Entrevista: Erva-de-São-Roberto

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

Lombardo – Boa tarde, Maria Emília. Está de chuva.

Maria Emília – Como está, passou bem?

Lombardo – Está tudo bem. Já anda nas ervas? Em Abril já consegue apanhar alguma coisa?

Maria Emília – Ainda é cedo, mas vim aqui espreitar para ver se já há Erva-de-São-Roberto. A altura dela é mais lá para Maio, mas vim ver se tenho sorte.

 

 

 

Lombardo - Eh lá, Maria Emília. Tenha cuidado. Não é essa erva que pode ser confundida como a cicuta?

Maria Emília – Sim. Dizem que há quem a confunda, mas esta é a Erva-de-São-Roberto. Reconheço-a, porque tem o caule vermelho. A outra não o tem. Mas são parecidas.

 

 

 

Lombardo – Isto é o botão da flor?

 

 

 

Maria Emília – Sim, dá uma flor cor de rosa. Olhe, vê-a aqui

 

 

 

Lombardo – É muito pequena.

 

 

 

Maria Emília – Vê aquela lá acolá que já tem duas floritas já nascidas? É engraçado. Cada uma destas flores tem cinco pétalas

 

 

 

Maria Emília - E já cheirou a erva? Ora cheire lá.

Lombardo – É um cheiro estranho.

Maria Emília – Sim, cheira a acre. É amargo e desagradável.

 

 

 

Lombardo – Mas afinal andava a procura da erva para quê?

 

 

 

Maria Emília – Vou fazer umas compressas. Dizem que são boas para cicatrizar feridas. Também há quem beba o seu chá, mas eu nunca bebi disto. Dizem que faz bem às úlceras do estômago e do intestino. E quando usada fresca o seu efeito é ainda mais eficaz. Costumam apanhá-la no fim da floração e deixam-na secar. Mas eu vou apenas fazer uma infusão das folhas e depois faço as compressas. E sabe que a colheita desta erva de folhas verdejantes deve ser feita antes do nascer do sol? Hoje deixei-me dormir, senão já cá tinha vindo.

 

 

 

Lombardo – A erva dá-se bem pelos cantos escuros e húmidos?

Maria Emília - Sim, cresce por aí pelo chão. Mas também se dá bem em muros. Espere aí que vou calçar as minhas tamancas para ir até alí. Não quero ficar com os pés todos sujos.

 

 

 

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Lombardo – Pois é, olhe aqui tanta.

Maria Emília – Bem, ainda não é muita. Volta e meia venho aqui dar volta a isto, porque senão ganha aí uma braveza de ervas. Tenho de escortachar isto. É só erva – de vez em quando a gente destroça tudo e depois vai a ver e já está tal e qual. Mas olhe, aqui já está outra.

Lombardo – Está verdejante.

 

 

 

Maria Emília - Então agora com a terra fresca, é só ver a erva a nascer e crescer. É do que ela gosta. As ervas boas e más. Todas gostam do mesmo.

 

 

 

Lombardo – As folhas quase parecem ser de salsa…

 

 

 

Maria Emília – Olhe, até têm alguma semelhança, de facto, Mas sabe que se vão tornando vermelhas com o sol? Lá para Setembro, Outubro, há-de cá vir vê-las. Depois da floração tornam-se vermelhas e começam a secar.

Lombardo – E a natureza, Maria Emília. Agora vou até à fonte. Quer vir?

 

 

 

Maria Emília – Não, fico-me por aqui. Vou por o feijão de molho para a sopa de amanhã. Até logo.

Lombardo – Até logo.

 

 

 

NBO Ruralidades não se responsabiliza pelo uso indevido de ervas e plantas. Aconselhe-se com um especialista

 

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