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Entrevista: Malva

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Maria Emília – … e assim foi, Sr. Lombardo. Quando dei por mim tinha adormecido.

Lombardo – Anda cansada, Maria Emília. Tem de repousar. O que vale é que o trabalho sempre vai dando alguns frutos, não é verdade? Ainda agora, quando aqui cheguei reparei que as suas malvas já vão a dar flor.

 

 

 

Maria Emília – Ah, as malvas. Pois, e olhe que nada fiz. Vão aparecendo aí pelo quintal. Tenho 3 malvas de mezinhas

Lombardo – Estamos em Maio, é tempo de abrirem.

 

 

 

Maria Emília – Sim, por acaso ainda não tinha reparado que já estavam em flor. A flor começa a aparecer em Maio.

 

 

 

Lombardo – Sempre bonita estas malvas com a sua flor duradoura em tom tom azul-lilás. O Zé é que bebe muito chá de flor de malvas.

 

 

 

Maria Emília – Ai sim?

 

 

 

Lombardo – Diz que tem propriedades terapêuticas – é diurético, laxante e expectorante. O chá pode ser feito das folhas ou das flores e tem um sabor agradável.

 

 

 

 

 

Maria Emília – E como é feito?

 

 

 

Lombardo – Muito fácil – seis colheres de malva para um litro de água. Coe e beba meia-hora antes das refeições.

 

 

 

Depois também há quem lave feridas com água de malvas. Põe-se uma panela ao lume e com água a ferver deitam-se as malvas. A água de malvas fervida também é usada para bocejar a boca, para combater aftas e até para tomar banho (melhora a circulação). Eu cá prefiro usá-la para os dentes.

Maria Emília - Os dentes?

 

 

 

Lombardo – Quando mastigada, torna os dentes mais fortes e resistentes.

 

 

 

Maria Emília - Os antigos usavam muito esta água de malvas, até no livro que tenho em casa dos números de telefone do meu pai há uma receita das malvas. Já o meu avô as usava, veja lá aos anos.

 

 

 

 

 

Mas sabia que a malva é considerada uma hortaliça, embora também seja vista como uma infestante e uma planta de jardim?

 

 

 

Lombardo – Não, não sabia, hortaliça…

 

 

 

Maria Emília – As suas folhas são cozinhadas como se cozinham as couves, espinafres, acelgas… usadas em sopas e saladas. As flores podem ser servidas em saladas e em outros pratos e até as raízes se aproveitam. São deliciosas salteadas em alho. Já as sementes…. Sabem as nozes!

Lombardo – Sabe se existe alguma preocupação especial no seu cultivo?

 

 

 

Maria Emília – Não, é uma planta fácil de cultivar. Desde que tenha sol e o terreno seja bem drenado, as malvas crescem e desenvolvem-se bem. Aparecem todos os anos e são muito apreciadas pelas abelhas. Morrem no Inverno, por causa do frio e da geada e reaparecem nos inícios de Março.

 

 

 

 

 

Maria Emília – É só preciso cuidado com as regas excessivas que podem causar o aparecimento de fungos.

 

 

 

Maria Emília – E ainda crescem com cerca de 1 metro de altura! O diâmetro ainda pode ser maior.

 

 

 

 

 

Maria Emília – Mas olhe que há muitas espécies de malvas: a malva-cheirosa, a malva-maior, por exemplo. Há cerca de 40 espécies de jardim, de mezinhas e invasivas. É preciso ter cuidado e ver do que estamos a falar.

 

 

 

 

 

Lombardo – Pois, Maria Emília, sempre muito cuidado porque as ervas e plantas são como o fogo: com elas não se brinca!!

 

 

 

Mas olhe, acho muita piada à flor da malva que assim que começa a escurecer se fecha em copas…

 

 

 

Maria Emília – Mas com isto até me esquecia do que lhe estava a contar. Então não é que adormeci na camioneta à vinda de Ferreira? Se não fosse o Mário do Lagar a acordar-me tinha ido parar sabe Deus onde! À Sertã, com certeza! Já viu? E depois o que te…

 

 

 

NBO Ruralidades não se responsabiliza pelo uso indevido de ervas e plantas. Aconselhe-se com um especialista

 

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