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Entrevista: Malagueta (Venda Nova)

 

 

 

 
 
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A nossa entrevistada, Anunciação Figueiredo nasceu em Seia em 1937 e está reformada. Migrou para Lisboa onde arranjou trabalho na área doméstica. Quando casou foi viver para a Venda Nova (Amadora). Desde cedo se interessou pelo trabalho do campo e por jardinagem. Quando lhe perguntámos o que acha da sua varanda, respondeu: “Infelizmente é pequena, mas já aqui tive salsa verdejante e de pé grande para dar e vender!

 

 

Ruralidades – Bom final de tarde, Sr. Zé Luís. Este seu sítio é um sossego. Até se consegue ouvir o silêncio.

D. São - Ah, pois. Estou aqui muito bem, o que é que pensam?

Lombardo – Boa tarde, D. São.

D. São – Olá, Sr. Lombardo! Há tanto tempo que já não o via…. Anda desaparecido.

Lombardo – Muito trabalho na quinta do Zé. Faço por lá um pouco de tudo.

D. São – Está de folga hoje?

Lombardo – Não, mas vim dar uma volta e resolvi bater à sua porta. Vim ver a sua varanda. Parece-me ter visto umas malaguetas da rua.

 

 

 

D. São – Ah, pois tenho. Deram-me um cesto engraçado no meu aniversário e vinham algumas sementes de piri-piri. Eram um conjunto de jardinagem. As sementes vinham incluídas.

Lombardo – E que grande ele está!

 

 

 

D. São – Olhe semeei-o em Setembro.

 

 

 

Lombardo – Deitou no vaso todas as sementes que estavam no pacote?

D. São – Não, nem metade pus. Escavei um pouco a terra e espalhei-as pelo vaso. Depois cobria-as ligeiramente com terra.

Lombardo – E demoraram muito tempo a nascer?

 

 

 

D. São – Não contei o tempo, mas foi relativamente rápido. À volta de 15 dias. Depois arraleios para que os que ficassem se pudessem desenvolver melhor.

Lombardo – Fez mais alguma coisa?

D. São – Não. Foram crescendo e deitei-lhe sempre bastante água. Todos os dias. Nunca rego em cima. Ponho sempre um prato com água por baixo do vaso. Os pratos têm sempre água.

Lombardo – A flor é muito pequena.

 

 

 

D. São – Pois, mas sem ela não há malaguetas. A flor ainda demorou bastante tempo a aparecer. Mas ainda vai tendo algumas, apesar de já ter bastantes malaguetas vermelhas e outras ainda verdes.

 

 

 

Lombardo – Vêem-se uns bicharocos verdes nas flores…

 

 

 

D. São – Ainda nem os tinha visto. Tenho de os tirar daqui. Não sei como vieram cá parar. Com tantas árvores altas por aqui, é natural que tudo venha parar a esta varanda.

Lombardo – Lembra-se de ter visto a nascer a primeira malagueta?

 

 

 

D. São – Todos os dias venho aqui espiar tudo, mas não marco datas. Mas lembro-me de as ver pequeninas, a nascerem da flor, verditas, pequeninas…

 

 

 

Lombardo – E vai comê-las?

D. São – Não. É só para por na língua de quem se portar mal (risos). Agora ficam aqui no vaso até os pés estarem direitos. As folhas já estão a amarelar. Depois vão ficar todas vermelhinhas. Depois quando o pé ficar seco, direito é que as apanho, está a perceber? É como as abóboras. Só se devem apanhar depois do pé secar.

 

 

 

 

 

Lombardo – Mas olhe que não é habitual ver-se uma varanda às portas de Lisboa com um piri-piri recheado em vaso?

D. São – As malaguetas dão-se muito bem em vaso. O importante é serem bem tratadas. Estão aqui num local abrigado, solarengo quanto baste e têm sempre água à disposição.

 

 

 

Lombardo – Assim está ela grande, bonita e cheia de fruto.

 

 

 

D. São – Ah, pois. Por acaso nas minhas mãos tudo costuma pegar e nascer.

 

 

 

Lombardo – Acha que traz algum benefício para a saúde comer as malaguetas?

D. São – Dizem que faz muito bem à próstata. Conheci um senhor que em tudo o que cozinhava deitava piri-piri. Até na sopa. Já morreu, mas a próstata foi com ele (risos). Estava de boa saúde.

 

 

 

Lombardo – Piri-piri, não é? Ora próstata, machos… acabou de me dar uma ideia saudável. Hoje quem faz a janta sou eu. E com esta me vou. Até breve.

D. São – Adeus, Sr. Lombardo. E não esteja tanto tempo desaparecido. Agora vou por aqui num vaso um pouco de salsa e …. Bem, já se foi. Estava com pressa.

 

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