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Entrevista: Bungavília

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Maria Emília – … e quando acordei foi um alívio. Imagine o que era, Sr. Lombardo, se fosse verdade?

Lombardo – Não era nada bom. Chegar aqui e não ter a buganvília.

 

 

 

Maria Emília – Já viu? É tão bonita.

 

 

 

Lombardo – Já a tem há muitos anos?

Maria Emília - Sim, para cima de 30 anos. Não vê a grossura do pé?

 

 

 

Maria Emília - Todos os anos, lá para o final de Novembro podo-a toda, bem rente ao chão depois das folhas caírem. Só fica o tronco. Senão nem se aguentava aí com a força dela! E todos os anos, na primavera, rebenta e cresce desta maneira que vê. Não sei se é por isso que também é conhecida por primavera…

 

 

 

Lombardo – E pelo barulho, os pássaros gostam dela.

Maria Emília - Nem imagina. Quando a podo a quantidade de ninhos que caem.

 

 

 

Lombardo – Mas ainda têm passarinhos?

Maria Emília – Não, são ninhos que entretanto deixam de ser usados por quem os faz.

 

 

 

Lombardo – Pelos vistos não é só os pássaros que gostam dela…

 

 

 

Maria Emília – Todos gostam, Sr. Lombardo. Atrai animais e insectos. Borboletas, vespas, abelhas…

 

 

 

 

 

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Lombardo - Se não a podasse ela ficava mais alta?

 

 

 

Maria Emília – Bem, pode atingir entre os 5 e os 10 metros. Também depende das variedades.

 

 

 

Lombardo – Que cuidados costuma ter com a buganvília?

 

 

 

Maria Emília – Tirando a poda anual, apenas a rega. Como já não é jovem, basta regar duas vezes por semana. Caso contrário teria de a regar todos os dias.

 

 

 

Maria Emília – Tenho-a aí engatada com uns arames para não tombar para o lado, porque quando chove o peso da folha e da flor fá-la tombar para o lado.

 

 

 

Maria Emília – Cresce sozinha por aí acima. Há também quem faça podas de contenção durante o ano nas alturas em que não está florida para evitar que os ramos engrossem muito e causem danos aos seus tutores ou a paredes.

 

 

 

 

 

Maria Emília – Esta poda também estimula a floração e deve ser feita imediatamente acima de uma gema. Por isso, sempre que se encontram galhos mortos ou com má formação e flores murchas devem ser retirados por uma razão de maior sustentabilidade da planta e estética.

 

 

 

Lombardo – Com essa poda toda, se calhar até a podia ter num vaso.

 

 

 

Maria Emília – Sim, é possível, mas nesse caso o vaso tem de ser bastante grande e as podas com maior frequência. Os ramos crescem sempre de forma desordenada. Se lhe quiser dar uma forma, tem de a podar.

 

 

 

Lombardo – Por acaso tenho visto muitas plantas iguais a esta por aí.

 

 

 

 

 

Maria Emília – Sim, dá-se bem em qualquer lado e é muito vistosa.

 

 

 

Lombardo – As flores também são engraçadas. Parece que tem duas ou três dentro de cada uma…

 

 

 

Maria Emília – O que chama de flores mais não são que folhas modificadas que dão a cor à buganvília. São as chamadas brácteas.

 

 

 

Maria Emília – As flores são as amarelas que vê no centro das folhas.

 

 

 

Maria Emília – As flores estão protegidas pelas brácteas para serem mais atractivas para insectos. São pequenos tubinhos, se reparar. Talvez por isso também seja conhecida por flor de papel.

 

 

 

 

 

 

Maria Emília – E antes de abrirem são assim:

 

 

 

 

 

Maria Emília – Também existem brácteas de outra cor.

 

 

 

Maria Emília – Já as folhas são de um verde brilhante, está a ver?

 

 

 

Lombardo – Há buganvílias com brácteas de outra cor?

 

 

 

Maria Emília – Sim, mas esta é a mais comum no nosso país.

 

 

 

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Lombardo – Dá-se bem aqui ao sol?

 

 

 

Maria Emília – Sim, gosta de locais com bastante sol. Em locais muito quentes pode até estar florida o ano inteiro.

 

 

 

Maria Emília – Mas às vezes o sol quando é demasiado forte também acaba por a queimar um pouco e as folhas e flores caem prematuramente.

 

 

 

 

 

Maria Emília – Quando não caem começam a murchar no final do verão.

 

 

 

Maria Emília – Aqui, as flores aparecem na primavera e mantêm-se até meio do Outono. E sabe porque se chama buganvília?

Lombardo – Não faço ideia.

 

 

 

Maria Emília – Porque quem a encontrou foi um tal de Louis Antoine de Bougainville.

 

 

 

Lombardo – Não conheço.

Maria Emília – Olhe, era o capitão de um navio que descobriu esta planta no Brasil. Isto no séc. XVIII, veja lá. Mas ainda não reparou numa coisa…

 

 

 

Lombardo – No quê?

Maria Emília – Veja lá bem o tronco.

 

 

 

Maria Emília – Não vê espinhos?

 

 

 

 

 

Lombardo – Credo!

Maria Emília – Como pergunta sempre, vou adiantando. Esta planta pode propagar-se facilmente por estaca de ramo lenhoso durante o Verão. Corte ramos tenros com cerca de 10 cm, limpe as folhas até meio e deixe as estacas num copo com composto adequado para o efeito relativamente humedecido. Tape o copo com um plástico para criar um ambiente húmido, num local com luz, mas fora do alcance do sol directo. Assim que vir que novas folhas começam a nascer transplante a planta para o sítio onde a quer. Mas cuidado, as raízes são muito frágeis.

 

 

 

Lombardo – Mas eu não quero esta planta… é muito grande, cresce muito depressa e não tenho onde a por… e ainda por cima tem espinhos!

Maria Emília – Agora foi desagradável. Estou para aqui eu a gastar o meu latim! Pensei que estivesse interessado.

 

 

 

Lombardo – Bem, quer dizer… a Maria Emília é que começou por me contar o seu pesadelo. Sim, porque eu não tenho qualquer interesse em buganvílias!

 

 

 

Maria Emília – Chega, Sr. Lombardo. Até logo.

 

 

 

Lombardo – Maria Emília, oh Maria Emília, não fique assim, senhora! Valha-me Deus!!!!

 

 

 

 

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