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Entrevista: Borragem

 

 

 

 
 
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Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Ora aqui está a Senhora, Maria Emília. Já andei à sua procura pelo café, mas ninguém sabia de si.

Maria Emília – Pois, ando por aqui. Estou a apanhar a flor da borragem.

 

 

 

Lombardo – Ah, sim, já ouvi falar. É essa erva grande que aí está, não é?

 

 

 

Maria Emília – Sim, aqui ao fundo do quintal há muita. É boa para atrair abelhas e afastar as lombrigas do tomate.

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Lombardo – E para que são as flores?

 

 

 

Maria Emília – A Luísa do café vai dar uma festa no sábado e pediu-me que apanhasse estas flores para as poder pôr nos cuvetes do gelo. Desta forma, os cubos de gelo ficam enfeitados. Ficam bonitos com as flores em tons de azul e rosa em forma de estrela.

 

 

 

 

 

Lombardo – A flor é comestível?

 

 

 

Maria Emília – Sim, pode usar em saladas e sopas, desde que a corte finamente e as apanhe antes da floração. Dá um travo a pepino.

 

 

 

Maria Emília – Se esmagar as folhas vai ver como lhe cheira logo ao pepino. Mas também há quem a utilize na doçaria e quem use as suas folhas em bebidas, mas é preciso cuidado porque a borragem é ligeiramente tóxica.

 

 

 

Lombardo – E a rama?

Maria Emília – A rama não a costumamos comer, embora haja quem o faça. Mas cá no nosso país, não há esse costume. Temos coisas melhores!

 

 

 

Maria Emília – Mas olhe, se esmagar as folhas cruas ou depois de passadas por água a ferver e as colocar sobre furúnculos ou abcessos vai ver como estes ficam amolecidos.

 

 

 

Lombardo – A borragem tem mais algum uso?

Maria Emília – Olhe, há muitos anos tinha uma vizinha lá em baixo ao pé do Pau Mau que costumava usar esta flor quando acendia uma lamparina – enchia um copo pequeno com metade de água e outra de azeite e por cima punha a boiar um bocadito de cortiça. Depois punha uma flor da borragem em cima da cortiça e pegava-lhe o lume. Dizia que era para alumiar o Senhor. Ela tinha um crucifixo grande que veio de casa dos pais, no tempo em que a mãe era empregada de um padre. E acendia esta lamparina improvisada para alumiar o Senhor. Como a flor estava em cima da cortiça e apanhava o azeite, ficava lá muito tempo, era até chupar todo o azeite. Ia dando luz. Chamava àquilo uma lamparina. Na altura não havia as velas como há agora. Ela era muito religiosa. Às vezes, quando fazia muita trovada, também acendia a lamparina aos pés do Senhor. Tinha muita fé, coitadita.

 

 

 

Lombardo – Era um uso dela….

 

 

 

Maria Emília – Pois era, que nosso Senhor a tenha. Mas também há quem diga que esta planta tem efeitos medicinais, sabe?

 

 

 

Lombardo – Faz bem a quê?

Maria Emília – Olhe, nem sei bem, mas falam em gripes e bronquites. Parece que ajuda as pessoas a melhorarem. Também ouvi dizer que ajuda no sarampo e em caso de infecções. Mas eu nunca a usei.

Lombardo – Mas como é que a borragem nos pode ajudar? Em forma de chá?

 

 

 

Maria Emília – Bem, há quem o beba, mas como as folhas têm esta espécie de pêlo, são ásperas, o chá tem de ser filtrado antes de ser bebido.

 

 

 

 

 

 

 

Maria Emília – Mas oh senhor Lombardo, não se esqueça que as folhas são tóxicas. Não se pode beber este chá durante muito tempo. Veja lá se me arranja alguma desgraça! Olhe, o melhor é usar a borragem como pomada ou cataplasma. O que também é muito usado é o óleo da planta que é extraído das suas sementes.

 

 

 

Lombardo – Para que serve o óleo?

Maria Emília – Olhe, para tratar problemas de pele, por exemplo.

Lombardo – Acho estranho…. Eu conhecia esta erva como sendo a erva da coragem.

 

 

 

Maria Emília – Senhor Lombardo, Senhor Lombardo…. Já percebi todo o seu interesse. Mas lamento informá-lo que está enganado. Os antigos pensavam assim, mas não é verdade. De facto, o que esta erva consegue é estimular as glândulas supra-renais e combater ligeiramente a depressão, dando a leve sensação de mais energia, alegria, coragem.

Lombardo – Uhm… pensei que seria mais útil…

Maria Emília – E é! É muito útil. Mas não para lhe dar coragem. Também para que queria tanta coragem?

Lombardo – Há uma jeitosa que chegou ontem à quinta do Zé…. Queria ver se trocava umas palavras com ela…

Maria Emília – E para isso é preciso muita coragem? Mexa-se, vá à sua vida!

 

 

 

Lombardo – Já vou, já vou! Hoje está mal disposta!

Maria Emília – Nem bem, nem mal. Tenho é muito que fazer! Vá andando que já se faz tarde!

Lombardo – Pronto, está bem, já fui! Parece que está com ciúmes….

 

 

 

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