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Entrevista: Salsa

 

 

 

 
 
maria emilia g

 

Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Maria Emília, o que é preciso para ter salsa?

Maria Emília – Então, cava-se um bocadinho de terra, pica-se, deita-se a semente….

Lombardo – Mas faz uma cova ou um rego?

Maria Emília – Não, não é preciso nenhuma vala. Apenas dou um jeito à terra, cavo, aliso, tiro algumas ervas daninhas ou algum lixo que por lá ande e espalho a semente para que a terra fique mais ou menos composta. Os torrões de terra não fazem mal nenhum. O que é preciso é que a terra esteja mole, macia. Quer ver? Tenho aqui algumas sementes que vou deitar na terra. Pode reparar que algumas ainda estão verdes, o que significa que podem não germinar já - apenas vão germinar as que estão secas. As outras, mais verdes, acabam por germinar, mas mais tarde.

 

 

 

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Lombardo – E como deita as sementes na terra? Com que distância uma das outras?

Maria Emília – Espalham-se para que fiquem larguitas umas das outras para se desenvolverem melhor.

Lombardo – E depois?

Maria Emília – Pega-se num ancinho para envolver levemente a semente na terra e vai-se regando até nascer. Sem humidade não germina. Se por exemplo não regar agora, só com o tempo das chuvas é que a salsa aparecerá.

 

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Lombardo – Quanto tempo demora a nascer?

Maria Emília – É mais ou menos como os coentros. Talvez uns 15, 20 dias. Depois temos que esperar mais de um mês para que se possam colher.

Lombardo – Precisam de muita rega?

Maria Emília – Tem de se ir regando de vez em quando, principalmente no verão.

Lombardo – Mas a terra tem que estar sempre húmida?

Maria Emília – Bem, não convém que seque muito, porque senão a salsa não nasce, nem se desenvolve. Gosta de muita água.

Lombardo – E sol? Precisa de muito sol?

Maria Emília – Algum, mas é mais meia-sombra. Muito sol, queima-a.

Lombardo – Se salsa se não for apanhada acaba por dar flor, correcto?

 

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Maria Emília – Sim, cresce, acaba por dar uma flor clara, de cor branca e a seguir produz semente.

 

 

 

Lombardo – A semente está dentro da flor, é isso?

Maria Emília – Sim, quando seca esfarela-se a flor, deixa-se cair a semente para cima de um papel ou de um pano e põe-se a secar. É uma maneira de ter salsa durante todo o ano.

 

 

 

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Lombardo – A semente da salsa antes da secagem é verde. Como sabemos que ela já secou? Que tonalidade adquire?

Maria Emília – É verde, mas com um sol escurece, fica castanha.

 

 

 

Lombardo – E aduba a salsa?

Maria Emília – Bem, ela agradecia se o fizesse, mas não o faço. Cresce na mesma (risos).

Lombardo – Costuma utilizar a salsa em que pratos culinários?

Maria Emília – Em muitos. Gosto muito de salsa no arroz, para temperar peixe, fazer assados e guisados. Quase tudo leva salsa. Fica sempre bem e faz muito bem à saúde.

Lombardo – Obrigado, Maria Emília!!!

 

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