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Entrevista: Ervilha (Santiago do Cacém)

 

 

 

 
 
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Luís Kaizeller – Um citadino amigo do Ruralidades que se dedicou à agricultura há cerca de 7 meses. Nascido em 1942, comprou uma quinta que apelida de ser o escape da semana atribulada de trabalho.

 

 

 

Lombardo – Bom dia, Dr. Luís Kaizeller. Reparei que já esteve a fazer uma prévia preparação do talhão onde vai semear ervilhas. Que tipo de preparação fez ao terreno?

Luís Kaizeller – Primeiro tive que andar com o tractor para cortar as ervas com a arrastadeira que está ligada a ele. Por baixo da arrastadeira está uma lâmina. A arrastadeira encosta no chão e a lâmina corta a erva. E depois o mais pequeno, um motocultor, lavrou a terra.

 

 

 

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Lombardo – Com que profundidade?

Luís Kaizeller – Pouca, cerca de 10 cm. O terreno é muito barrento, argiloso (o que é bom porque tem boa capacidade de drenagem), está muito molhado das chuvas, mole. Se quiser posso lavrar um bocadinho para verem como se faz. Mas nestas condições é difícil lavrar com profundidade. Tenho que lavrar para trás com marcha para a frente ligada, caso contrário não lavra nada.

 

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Lombardo – E as ervas que corta com o tractor? Ficam no solo?

Luís Kaizeller – Sim. Esta máquina não enfarda as ervas. Mas tem a vantagem de também poder lavrar com esta peça maior, está a ver?

 

 

 

Lombardo – Bem vamos então semear ervilhas?

Luís Kaizeller – Sim. Vou ter que ir buscar as sementes, terra de vaso (adubada), adubo, bem como o tubo gota-gota ( 250 metros custaram-me 30 euros). Levo ainda aquilo que chamo de espigão para furar a terra.

 

 

 

Lombardo – Já fez aqui um regozito e agora está a esticar o tubo da rega.

Luís Kaizeller – Sim, tem que ficar bem esticado e direito porque caso contrário a água não corre por toda a tubagem. Não pode ficar dobrado.

 

 

 

Lombardo – Ok, então e como é que semeia as ervilhas?

Luís Kaizeller – Primeiro faço uma pequena cova com o espigão, deito o adubo, por cima coloco alguma terra para que a semente não fique em contacto com o adubo, deito as sementes (duas por cova) e termino com mais terra por cima delas – as sementes devem ficar a cerca de 3 a 5 cm de profundidade e com uma distância de cerca de 30 cm entre elas.

 

 

 

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Lombardo – Também se vendem ervilhas em cuvetes, certo?

Luís Kaizeller – Correcto. Repare, também posso comprar a semente, semeá-las nessas cuvetes, pô-las em estuda durante um mês em terra adubada e depois transplantá-las para o terreno definitivo. Na realidade, eu prefiro plantar do que semear porque ainda sou novato nestas andanças pela agricultura e como nem sempre tenho possibilidade de vir até à quinta, as ervas daninhas crescem muito a abafam as culturas. Às tantas, já não sei qual a planta boa e quais as más. Ao menos, se a plantar, sei logo como a distinguir porque a folha da espécie cultivada já está visível.

Lombardo – Mas há quanto tempo cultiva?

Luís Kaizeller – Desde Abril (risos), mas com muito empenho e dedicação. Às vezes falta-me o tempo necessário, mas ainda assim tenho tido boas produções.

Lombardo – Que adubo utiliza?

Luís Kaizeller – É adubo azotado, embora não seja muito necessário nas ervilhas.

Lombardo – Deita duas sementes por buraco…

Luís Kaizeller – Sim, se alguma não germinar, está lá a outra. São sementes preparadas para a sementeira, foram sujeitas a um processo de secagem.

 

 

 

Lombardo – Agora vai semear uma linha inteira, correcto? Utiliza uma corda que faz de guia….

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Luís Kaizeller – Sim, e quando termino enterro sempre uma cana onde prendo uma etiqueta com a identificação do produto que acabei de semear.

 

 

 

Lombardo – E mais tarde tem que fazer a tutoragem?

Luís Kaizeller – Sim – estas ervilhas são de trepar. Se fossem anãs não seria necessário.

Lombardo – E que outros cuidados tem com as ervilhas?

Luís Kaizeller – Bem para além de as plantar na altura certa (Novembro), tenho que ter algum cuidado com os períodos de seca e excesso de calor na fase da floração e na formação do grão.

Lombardo – Muito obrigado pelo seu tempo.

 

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