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Entrevista: Couves de folhas

 

 

 

 
 
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A nossa entrevistada, Fátima Pedroso, é proprietária de uma estufa em Brejos do Poço (perto de Poceirão a caminho de Fernando Pó), onde tem disponível para venda plantas envasadas ou de corte e ainda alguns produtos hortícolas. Fez do gosto pelas plantas a sua vida e com o fruto do seu trabalho tem sobrevivido. Quando lhe perguntámos se gostava do seu trabalho, respondeu: “Estou aqui há seis anos. Não tenho uma única razão de queixa.”

 

 

 

Lombardo – Para além de uma estufa de média dimensão onde vende plantas e flores de corte, dispõe ainda, nessa mesma estufa, de um pequeno espaço dedicado à horticultura. Quer falar-nos um pouco sobre ele?

Fátima Pedroso – Sim, mas olhe que vieram cá numa má altura. Neste momento já tenho pouca coisa para venda, estamos quase em Agosto… mas ainda vou tendo umas couves, alho francês, alface verde e roxa…

 

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Lombardo – Está tudo pronto para o transplante?

 

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Fátima Pedroso – Tudo pronto para ser transplantado. As pessoas com pequenas hortas vêm cá muitas vezes buscar este tipo de produto. Vende-se bem. Agora é o tempo das couves. Na primavera é que já vem o cebolo, o tomate, pimento, pepino, beringela, abóbora, curgete, feijão-verde, melancia, melão e meloa… vem um pouco de tudo.

Lombardo – A melancia e o melão são difíceis de semear, não são? É preciso ter um terreno bastante adequado às suas condições, caso contrário não se dão…

Fátima Pedroso – Sim, mas nesta zona costumam dar-se bem. É preciso regar e estrumar bastante.

Lombardo – Que tipo de couves aqui tem?

Fátima Pedroso – Tenho a couve tronchuda ou couve portuguesa, couve-flor, bróculos, couve coração de boi, couve alta, galega ou do caldo-verde, bacalã (que é uma variedade de couve repolho) e o repolho que também é conhecida por lombardo. Esta última é um pouco mais doce que as outras. Por vezes também tenho a couve grelo.

Lombardo – E consegue distinguir as couves umas das outras só de olhar para as suas folhas?

Fátima Pedroso – Sim (risos). Por exemplo, a folha dos bróculos é meia acinzentada, tem um tom azulado. É uma folha arredondada, parecida com a folha da couve portuguesa, mas com mais relevos, não é tão lisa;

 

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Fátima Pedroso – A couve tronchuda tem a folha de um verde mais claro e é arredondada;

 

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Fátima Pedroso – A couve galega conhece-se muito pelo tronco, que cresce muito, a folha é mais afunilada, em bico, mais rija;

 

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Fátima Pedroso – A de coração de boi é uma couve que cresce pouco em altura, é arredondada, tal como as suas folhas (por dentro, até adquire a cor branca) e é de um verde ainda mais claro que o da couve tronchuda;

 

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Fátima Pedroso – A couve-flor tem a folha mais comprida e oval. É de um verde mais escuro que a da couve portuguesa;

 

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Fátima Pedroso – O repolho também tem uma folha em tons de verde escuro em forma de folho – parece que não foram passadas a ferro, são enrugadas;

 

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Fátima Pedroso – A bacalã tem uma folha mais comprida e é mais oval que a folha do repolho. As pontas das folhas da bacalã também têm uma espécie de folhos;

 

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Fátima Pedroso – Finalmente, a couve grelo é muito parecida com a couve galega, embora a folha seja mais miudinha.

Lombardo – E a nível de paladar. Qual a diferença entre as diversas couves?

Fátima Pedroso – Isso depende do paladar de cada um, mas posso dizer que para mim a couve coração de boi tem um sabor mais adocicado. As mais tenras são a couve tronchuda e a de coração de boi. As mais rijas são a galega e o repolho. A bacalã é a mais eclética – fica entre a couve coração de boi e a couve lombardo.

Lombardo – Na sua opinião, quais as melhores couves para se fazer uma sopa?

Fátima Pedroso – As que gosto mais para a sopa são a tronchuda e a coração de boi.

Lombardo – E para um cozido?

Fátima Pedroso – As mesmas. São as mais tenras. Já no Natal o que se vende mais é a tronchuda e a coração de boi.

Lombardo – Qual a couve que demora mais tempo a desenvolver-se para ser consumida?

Fátima Pedroso – Todas as que se fecham e formam uma bola – coração de boi, o repolho….

 

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Lombardo – E as mais rápidas?

Fátima Pedroso – A portuguesa e a galega, porque a estas até se podem ir retirando algumas folhas ao longo do seu crescimento, não se corta logo a couve toda. Vão-se consumindo aos poucos….

 

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Lombardo – Precisam de água e sol em abundância, suponho?

Fátima Pedroso – Sim, muito.

Lombardo – E aduba as couves?

Fátima Pedroso – Sim, três vezes durante o seu crescimento.

Lombardo – E estruma-as?

Fátima Pedroso – O estrume só se deita no início, ao plantar. Depois não é necessário estrumar mais.

Lombardo – E pragas que as ataquem? Há muitas variedades?

Fátima Pedroso – Sim, algumas – temos a lagarta verde (e de outros tipos, mas esta é a mais comum), que quase não se vê, mas vai roendo as folhas – põe-nas como se ficassem rendadas…, o piolho, a mosca branca, o escaravelho vermelho (que aqui é conhecido por um nome muito feio porque andam sempre aos pares, uns cima dos outros. São os chamados fodi…. (Risos)

 

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Lombardo – Conhece este provérbio popular: “Se queres matar o teu marido dá-lhe couves em Agosto”?

Fátima Pedroso – Não, por acaso não conhecia (risos). E eu aqui com tanta couve! Mas a sorte é que só lá para Dezembro é que estão boas para consumo. Ninguém vai morrer!

Lombardo – Mas para além de vender estes produtos para transplante, também vende sementes. O que se vende mais?

Fátima Pedroso – Vende-se o que dá menos trabalho, ou seja, o que já está pronto para transplante. As pessoas mais idosas, que já trabalham há mais tempo no campo é que ainda preferem as sementes para fazerem o seu alfobre. Os mais novos já levam tudo pronto.

Lombardo – E o que é mais barato?

Fátima Pedroso – As sementes. Dão mais trabalho.

Lombardo – Obrigada pelo seu tempo.

 

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