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Entrevista: Alface

 

 

 

 
 
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Maria Emília Monteiro

 

Colaboradora Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Há quanto tempo planta alfaces?

Maria Emília – Então, já há uma data de anos. Plantei muitas em casa de uns patrões que tive perto de minha casa. Pus tanta alface....

 

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Lombardo – Que idade tinha?

Maria Emília – Oh, talvez os meus 15 anos, comecei a trabalhar no campo muito cedo.

Lombardo – Como é que nasce uma alface?

 

Maria Emília – Então é através da semente que a própria produz. Quando a alface espiga, retiramo-la da planta.

 

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Lombardo – E como se deita a semente na terra? Há alguma distância a respeitar?

Maria Emília – No alfobre deve deixar-se ralinha para que não fique muito basta. Depois a alface começa a crescer no alfobrito...

Lombardo – Alfobrito?

 

Maria Emília – Um alfobre é um pequeno pedaço de terra onde se deita a semente para que esta germine. Após a germinação, a planta começa a crescer e enquanto ainda está pequena é retirada já com alguma raiz e transplantada para o terreno definitivo onde se vai desenvolver.

 

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Lombardo – Com que tamanho é que se devem transplantar as alfaces?

Maria Emília – Pequeninas, com uns 10 cm de altura, talvez. .

Lombardo – Como prepara o terreno definitivo para o transplante?

Maria Emília – Faço um reguito ou uma vala como se faz para os tomateiros e para os pepinos, põem-se em volta dos cambalhões.....

Lombardo – Cambalhões??!!

Maria Emília – Sim, quando se faz o rego, vai-se pondo a terra que se retira da cova em um dos lados e desta forma vai-se formando um pequeno monte. Digamos que o cambalhão é a parte de cima do rego – retiramos a terra para cavar a vala e esse excesso de terra é depois calcado e forma o cambalhão que fica num plano superior ao do rego.

Lombardo – Interessante. Qual é a distância que deve haver entre as várias alfaces para que se possam desenvolver correctamente?

Maria Emília – Aí de 10 em 10 ou 15 em 15 cm... é conforme o que as pessoas quiserem.

 

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Lombardo – E é preciso adubar?

Maria Emília – Nas alfaces não se põe adubo.

Lombardo – E a rega? É diária?

Maria Emília – Não é preciso ser diária, embora gostem muito de água. A terra não convém estar muito seca.

Lombardo – Têm que ser plantadas ao sol?

Maria Emília – Sim, gostam de sol.

Lombardo – E como é que sabe se as alfaces já estão boas para serem colhidas?

Maria Emília – Então, quando algumas ficam em forma de bola e outras ganham assim mais folhas vê-se que estão em acção. Apanham-se e comem-se.

 

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Lombardo – Como é que se sabe que uma alface está espigada?

Maria Emília – Quando cresce em altura e começa a fazer-se dura. Quando espiga também começa a ganhar semente e deixa de ser boa para consumo.

 

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Lombardo – Uhm... depois volta ao início: ou compra novas sementes ou retira-as da alface espigada para voltar a semear, é isso?

Maria Emília – Pois…

Lombardo – Em que mês costuma fazer as sementeiras?

Maria Emília – Nesta zona, é a partir de Março, Abril, Maio, Junho...

Lombardo – Até Agosto?

Maria Emília – Cá depois de Agosto a alface já não se dá. Espiga toda. Só até Julho.

Lombardo – Muito lhe agradeço. Aprendi muito consigo.

 

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