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Entrevista: Enxertia da roseira

 

 

 

 
 

 

António Martins

 

Colaborador Habitual do Ruralidades

 

 

Lombardo – Bom dia, Senhor António Martins. Ouvi dizer que sabe enxertar roseiras. Pode ensinar-nos como se faz?

António Martins – Sim, mas que tipo de enxerto querem que aqui faça? De espelho ou de cunha?

Lombardo – Pois, não sei. Qual é a diferença entre eles?

António Martins – Na enxertia de espelho temos que cortar uma pequena borbulha para ser colocada no tronco da roseira que queremos ver enxertada.

Lombardo – O que é uma borbulha?

António Martins – É um rebentozinho pequenino, com as folhas naquele tom avermelhado, logo assim que começam a nascer.

 

 

 

António MartinsOra, ao fazermos um corte no tronco da roseira mãe, vamos enxertar essa borbulha na nova planta. Mais tarde rebenta exactamente no sítio onde a colocámos e nasce uma nova planta incorporada no tronco principal.

Lombardo – E qual é o outro tipo de enxerto?

António Martins – O outro é o de cunha, que normalmente é feito nas videiras, nas macieiras, no pomar. Aí é sempre de cunha.

Lombardo – Mas nas roseiras esse tipo de enxerto não é possível?

António Martins – Há quem o faça, mas não pega tão bem.

Lombardo – Qual a altura ideal para fazer enxertias em roseiras?

António Martins– Assim que as roseiras começam a rebentar depois da poda, lá para Março. Cortamos os rebentos pequeninos e enxertamos nos troncos. O curioso é que uma mesma roseira pode ficar com várias qualidades de rosas – vermelhas, brancas, amarelas. Tudo com base no mesmo tronco. Depende do número de enxertos que fizermos.

 

 

 

Lombardo – Faça lá então uma enxertia de espelho nesta roseira!

António Martins – Vamos então começar por procurar um rebentozito, tem que ser pequenino e que pertença ao tronco principal da planta. Os rebentos dos ramos-ladrão não servem.

Lombardo – E que instrumentos são necessários para a enxertia?

António Martins – Precisamos de um canivete próprio com um bico que permita fazer os cortes, uma tesoura de poda, ráfia, fita isolante ou uma massa isolante.

 

 

 

Lombardo – Vai então começar por cortar o rebento….

 

 

 

António Martins – Já aqui está.

 

 

 

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António Martins – Como pode ver cortei junto a um dos nós da roseira e agora vou fazer um corte pouco profundo no tronco principal, em forma de T invertido com a finalidade de levantar um pouco da pele da roseira – mas só a pele, a parte superficial verde.

 

 

 

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António Martins – Dentro dessa pele vamos introduzir o rebento com um pouco da sua pele também levantada.

 

 

 

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António Martins – É a isto que se chama o processo de enxertia.

Lombardo – Por baixo da pele está a seiva, não é?

António Martins – Sim, a seiva circula pelas plantas e permite que se unam as duas numa só. Repare, estou só a abrir um bocadinho da pele, ao de leve para introduzir o rebento no tronco-mãe. Também estou a retirar algumas das folhas do rebento e os picos (mas é só para não me picar).

 

 

 

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António Martins – Agora vou atar com ráfia de forma a segurar o rebento no tronco principal, para que não caia…

 

 

 

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António Martins – … e de seguida pomos a fita isolante ou uma massa para que esta ferida fique isolada por completo – não deve entrar água, ar, nem humidade. Caso contrário, seca. Eu gosto mais da massa, isola melhor, embora seja mais cara.

 

 

 

António Martins – E pronto. Está feita a enxertia!

 

 

 

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