Entrevistas Jardim
A estufa Flor&Val
A nossa entrevistada, Fátima Pedroso, é proprietária de uma estufa em Brejos do Poço (perto de Poceirão a caminho de Fernando Pó), onde tem disponível para venda plantas envasadas ou de corte e ainda alguns produtos hortícolas. Fez do gosto pelas plantas a sua vida e com o fruto do seu trabalho tem sobrevivido. Quando lhe perguntámos qual a flor que mais gosta, respondeu: “A rosa.”
Ruralidades – Há quanto tempo trabalha e é proprietária desta estufa?
Fátima Pedroso – Há seis anos.
Ruralidades – Qual a dimensão?
Fátima Pedroso – Cerca de 600m2.
Ruralidades – E trabalha aqui sozinha ou tem algum ajudante?
Fátima Pedroso – Tenho mais duas ajudantes.
Ruralidades – Vejo que tem muitos cactos à venda. São todos assim deste tamanho ou tem-nos maiores?
Fátima Pedroso – Por norma vendo-os pequenos, ficam muito mais baratos e até permitem uma melhor transplantação. É o que se mais vende.
Ruralidades – E tem cactos enxertados?
Fátima Pedroso – Sim, tenho ali, mas a maior parte dos cactos não sofreram qualquer processo de enxertia.
Ruralidades – Os cactos precisam de muito sol. E água?
Fátima Pedroso – Sol, sim, muito forte. E qualquer espaço é bom, desde que não apanhem com muita água.
Ruralidades – Os cactos demoram muito tempo a crescer?
Fátima Pedroso – Sim, demoram anos. Estes cactos pequenos que aqui vê demoraram muito tempo a crescer e é isso que os encarece. O do lado direito da fotografia deve ter demorado, no mínimo, 8 anos a crescer. Custa 32 Euros. Ao do lado esquerdo chamamos o afugenta bruxas. Houve uma altura que ninguém lhe ligava, mas desde que se começou por aí a dizer que é utilizado para afastar as bruxas começou a ter mais saída. Chama-se Sanseviérica.
Fátima Pedroso – Olhe, tenho ali um vaso com 4 cactos plantados e já lá vão 3 anos. Como pode ver, não cresceram muito.
Ruralidades – E estas plantas aqui juntas aos cactos?
Fátima Pedroso – São as chamadas suculentas. Não têm os picos dos cactos, mas parecem-se com cactos.
Ruralidades – Este é o aloé-vera, correcto?
Fátima Pedroso – Correcto.
Ruralidades – Apenas vende a particulares?
Fátima Pedroso – Sim, essencialmente. Às vezes a uma loja ou outra, se for preciso fazer algum transporte tenho a carrinha, se for uma árvore de grande porte, por exemplo, mas normalmente nem isso é necessário.
Ruralidades – E este espécime? O que é?
Fátima Pedroso – É uma árvore que comprei só porque a achei muito bonita e pareceu tão abandonada... Dá muitas flores que deixam um odor intenso e muito agradável.
Ruralidades – Esta é espectacular….
Fátima Pedroso – São as corcumas. Crescem relativamente rápido e há quem as chame de tulipas chinesas.
Ruralidades – Estas são as tais plantas que levamos para casa e que, por regra, acabam sempre por não se desenvolverem. Têm um tempo de vida relativamente limitado, correcto?
Fátima Pedroso – Sim, de certa forma (risos). Chamamo-las de mix, é um surtido de várias plantas. Elas crescem e algumas precisam de muita água, muita humidade, principalmente agora no verão. É preciso alguma paciência. São daquele tipo de plantas muito utilizado para fazer arranjos em vasos, são mais decorativas para floreiras, para uma cozinha.
Ruralidades – Está aqui muito calor. Tem algum método para controlo de temperatura e humidade?
Fátima Pedroso – Sim, de facto está algum calor. A parte de cima da estufa abre e fecha consoante o tempo. É automática. Neste momento está quase toda aberta. Ainda temos esta cobertura verde para proteger do sol, criar sombra no interior e proporcionar um ambiente mais escuro.
Ruralidades – Esta estrutura foi construída com uma espécie de plástico, não é?
Fátima Pedroso – Sim.
Ruralidades – E em termos de rega?
Fátima Pedroso – Já tive rega automática, mas revelou ser um grande custo porque os chuveiros entupiam constantemente e a manutenção não é barata – agora regamos tudo à mão, com uma mangueira, excepto as plantas que estão em cima dos tabuleiros.
Ruralidades – Tem muitos ficus, de quase todas as variedades…
Fátima Pedroso – Sim, bastantes. Também são muito bonitos e resistentes, todos com a sua diferente folhagem.
Ruralidades – E estas plantas. O que são?
Fátima Pedroso – Dracaenas. São plantas de interior.
Ruralidades – E estas – são guzmanias, correcto? Mas umas têm a flor aberta, outras parecem espalmadas…
Fátima Pedroso – Sim, são todas da mesma família, mas as flores são diferentes.
Ruralidades – É verdade que não se pode deitar água em cima desta flor, sob pena de apodrecer?
Fátima Pedroso – Sim, elas não gostam nada. Nem se deve molhar a terra. Devem beber água através do prato. As raízes vão-se alimentando à medida das suas necessidades.
Ruralidades – E esta planta – é uma bolbosa?
Fátima Pedroso – Sim, é uma alocasia. É de temporadas. Renasce todos os anos.
Ruralidades – E esta planta – como se chama?
Fátima Pedroso – Vulgarmente chamam-lhe o lírio da paz, mas o nome científico é sphathifyllium. Depois também tenho aqui algumas escalateias. Costumo dizer que quando está muito frio ou calor que põem as mãos na cabeça porque levantam as folhas todas (risos).
Ruralidades – Esta nunca vi… o que é?
Fátima Pedroso – Chamam-lhe alface de interior (risos). É um Asplenium.
Ruralidades – Vejo que aqui também tem fetos e avencas muito verdejantes.
Fátima Pedroso – Sim, estão aqui à sombrinha. É disso que gostam. Terrenos húmidos e sombrios, ao pé de um ponto de água. E depois temos outro tipo de fetos menos comuns. Por exemplo, a alface de interior é uma espécie de feto, assim como esta pileia.
Ruralidades – E esta? É venenosa, não é?
Fátima Pedroso – Sim, é preciso calçar umas luvas para tratar dela. É uma diaffeubacia.
Ruralidades – E estas que estão tão grandes num vaso tão pequeno?
Fátima Pedroso – Chamam-se Nolinas. A intenção do vaso pequeno é evitar que a raiz cresça, permitindo que a planta engrosse o tronco, em prol da sua altura.
Ruralidades – E esse vaso que aí está. Não consigo perceber… é uma ou são várias palmeiras envasadas no mesmo recipiente?
Fátima Pedroso – Comprei o vaso já com a palmeira assim, com vários troncos, e depois, sempre que se tem proporcionado, vou aumentado a estrutura da planta com novos exemplares.
Ruralidades – Mas vende os troncos em separado?
Fátima Pedroso – Não, de todo. Quando a vender, vendo-a por inteiro. E é daquelas que terei pena de ver ir embora. Acho-a muito bonita. Já cresceu muito comigo. É uma Palmeira chrysalidocarpus.
Ruralidades – E ora aqui está mais uma planta venenosa….
Fátima Pedroso – Sim, a chamada Costela de Adão.
Ruralidades – E as estrelícias. Quando dão flor?
Fátima Pedroso – Só lá mais para o Inverno. Dão uma flor laranja e crescem muito.
Ruralidades – E aqui temos mais uma planta que, a dar pelo tipo de vaso, estou em crer que o objectivo é engrossar o tronco, correcto?
Fátima Pedroso – Sim, é uma pachira. Mas não dá flor. Cresce muito.
Ruralidades – É a árvore da borracha?
Fátima Pedroso – Sim, há quem lhe chame a borracheira. Tem folhas bonitas, cresce muito, mas também não dá flor.
Ruralidades – E sabe porque é que lhe deram o nome de árvore da borracha?
Fátima Pedroso – Não faço ideia (risos). Só sei que se dá bem no exterior e pouco mais. É uma variedade de ficus – é a ficus elástica.
Ruralidades – Há muitos tipos de ficus. A cor da folha varia consoante o tipo de terreno ou localização?
Fátima Pedroso – Não. São diferentes variedades que não alteram a cor.
Ruralidades – E estas plantas? Como se chamam?
Fátima Pedroso – São as dracaenas.
Ruralidades – Muitas têm mais que um tronco ou este aparece subdividido. Quando um deles morre, deve ser retirado ou mantido?
Fátima Pedroso – Estas plantas não gostam muito da terra molhada. Tem sempre dois troncos e se um apodrece é melhor tirar o que está doente para tentar salvar o outro.
Ruralidades – Esta planta é carnívora?
Fátima Pedroso – Sim, chamam-na de papamoscas, mas o nome científico é nephentes. Acumulam água nos pequenos cabaços e ao libertarem um odor adocicado atraem os insectos, é por aí que os apanham... por afogamento.
Ruralidades – E que mais tem por aqui de colorido?
Fátima Pedroso – Aqui são as petúnias. Há quem lhe chame de fraldas de velha, helenas…
Ruralidades – E esta azul lindíssima?
Fátima Pedroso – É uma cufhea hyssopifolia.
Ruralidades – Esta planta... não sei o nome, mas sei que pega muito bem e deita um perfume excepcional.
Fátima Pedroso – Sim, e cresce muito. Precisa de tutores, dá uma flor branca que dá um odor semelhante ao jasmim.
Ruralidades – Tem aqui alguns cupressus…
Fátima Pedroso – Sim, são uns arbustos que crescem bastante em altura e em largura e são causa de alguns atritos entre vizinhos. Assim que se cortam por cima, não crescem. Vão apenas alargando por baixo, tornando-os muito densos.
Ruralidades – Tem aqui um pequeno fontanário. É para as aquáticas?
Fátima Pedroso – Sim, mas neste momento está em recuperação. Precisa de ser pintado e de outras obras.
Ruralidades – Aqui estão as sycas, também com um vaso pequeno para que o tronco possa engrossar e dessa forma sobressair a planta.
Ruralidades – Já vi que também vende aqui todo o tipo de vasos e alguns suportes. Qual o que mais aconselha?
Fátima Pedroso – Os de barro. São mais frescos para as plantas, conservam mais a humidade, embora o vaso de plástico seja sempre mais barato. Se bem que às vezes depende até do tipo de plástico….
Ruralidades – Vende também tutores…
Fátima Pedroso – Sim, tenho tutores de fibra de coco e de cana.
Ruralidades – E estas plantas? Tenho uma em casa. Mas não são nada fáceis de propagar.
Fátima Pedroso – Não. Não é possível. Só talvez com um produto enraizante. Convêm ser podadas lá para Outubro para depois alargarem por baixo. São as schefflecas.
Ruralidades – Estamos agora na câmara frigorífica para que se possam conservar em boas condições as flores de corte. Quanto tempo se conserva aqui uma flor?
Fátima Pedroso – Depende da flor. As mais resistentes são as coroas imperiais, mas por norma, todas elas duram uma semana, e às vezes até duas. Neste momento tenho a câmara a 11.ºC, mas o normal é estar a 6.ºC. Mas ainda assim, está fresquinho (risos). Vendem-se bem – por norma não tenho aqui flores mais do que 3 dias.
Ruralidades – Estão dentro de água, correcto?
Fátima Pedroso – Sim, mas só um pouco, de maneira a que o pé fique coberto.
Ruralidades – Vejo por aqui algumas plantas de um azul intenso. São pintadas?
Fátima Pedroso – Sim. Por vezes pinto as flores – ou com um spray próprio para o efeito ou com um pó que se deita na água. Ficam lá cerca de 8 horas e vão absorvendo aquela coloração até mudarem de cor por completo.
Ruralidades – E quem as vem aqui comprar?
Fátima Pedroso – São, acima de tudo, particulares.
Ruralidades – Fazem arranjos?
Fátima Pedroso – Sim, já temos feito – para casamentos, festas, velórios…
Ruralidades – Também vende bonsai?
Fátima Pedroso – Sim, mas nem sempre os tenho. Não são muito procurados.
Ruralidades – Qual a frequência de adubagem na estufa?
Fátima Pedroso – De duas em duas semanas.
Ruralidades – E a rega?
Fátima Pedroso – Com este calor, é diária. Rego ao final do dia, quando está mais fresco, para que a evaporação da água não queime as plantas. Tenho um furo.
Ruralidades – Agora vamos entrar aqui no cantinho das orquídeas, um espaço mais reservado.
Fátima Pedroso – As orquídeas sofrem muito com a variação de temperatura – sofrem quando o tempo está muito frio e quando está muito quente. Gostam de uma temperatura mais amena, com mais humidade.
Ruralidades – Tem aqui muitas phalaenopsis…. Mas não são as que se vendem mais, pois não?
Fátima Pedroso – Não, são as symidio. Tenho aí apenas duas.
Ruralidades – Aqui neste cantinho também tem antúrios.
Fátima Pedroso – Sim, uns mais pequenos, outros maiores…. De cores diferentes, até.
Ruralidades – E também tem aqui um pequeno espaço exterior com algumas árvores e outro tipo de plantas que se dão bem ao sol. É assim?
Fátima Pedroso – Sim tenho aqui o alecrim que dá uma flor azul, algumas árvores e arbustos, chorinas, gazaneas (que só abrem com a luz do dia), fruteiras, a conhecida lava-garrafas (que neste momento está sem flor), entre outras, ácer... .
Ruralidades – Onde compra todas estas plantas?
Fátima Pedroso – Na sua maioria, vêm da Holanda.
Ruralidades – Qual a sua flor preferida?
Fátima Pedroso – Adoro rosas!
Ruralidades – Sabe enxertá-las e podá-las?
Fátima Pedroso – Podá-las sei, agora a enxertia nem sempre corre bem.
Ruralidades – Será que é a senhora que me vai confirmar que é verdade que as plantas gostam que falem com elas?
Fátima Pedroso – Acredito que sim, eu falo muito com elas. Mas já me disseram que não é tanto o falar com elas – parece que aquilo que realmente gostam é de sentir a nossa respiração.
Ruralidades – Será por causa da humidade?
Fátima Pedroso – Pois, não sei, talvez (risos). Mas pelo menos companhia, fazem-nos.
Ruralidades – Também vende pedras de rio para jardim ou para o lago e substrato para as plantas… o substrato é todo igual ou varia consoante a planta?
Fátima Pedroso – Varia. Por exemplo, a terra das orquídeas é basicamente feita com casca de pinho. É completamente distinta das restantes. É uma terra muito levezinha para as raízes.
Ruralidades – Ok. Muito obrigada pela sua disponibilidade!
Fátima Pedroso – Obrigada pela vossa visita.









































































