Entrevistas Horta
A Horta do Senhor Martins
António Martins
Colaborador Habitual do Ruralidades
Ruralidades – Bom dia, Sr. António Martins. Vejo que aqui na sua horta tem feijão verde e mocho, pimento, tomate, beringela…. A flor da beringela é muito bonita…
António Martins – Sim, é bonita.
Ruralidades – Mas as beringelas estão pequenas…
António Martins - Os produtos hortícolas quase não se desenvolveram este ano (2010). Estão todos muito pequenos. O calor prejudicou o seu desenvolvimento. O ano passado, por esta altura, já as beringelas estavam enormes. Nem a água diária e em abundância as faz crescer.
Ruralidades – O tomate está verde porque não está bom para ser apanhado ou é mesmo assim?
António Martins – Não, o tomate ainda está verde. Vai ficar todo vermelho. Agora até tem estado a engrossar bem, porque tem levado muita água.
Ruralidades – Como sabe se o tomate já está bom para colher? A rama seca? Ou é só porque fica vermelho?
António Martins – Não, é só quando fica vermelho, aliás, meio vermelho, é o chamado louro. Depois vai acabar por amadurecer em casa.
Ruralidades – Aduba e estruma a horta?
António Martins – Sim, tudo na horta está estrumado e adubado.
Ruralidades – Que estrume utiliza?
António Martins – O do galinheiro. É o melhor. A galinha faz muito estrume, de boa qualidade e quantidade.
Ruralidades – Também tem batatas e couve-galega?
António Martins – Sim, que também querem muita água. A batata já vai a ficar com a rama amarela e dentro de pouco tempo já vai poder ser apanhada. A couve-galega teve que ser curada com um insecticida, até está boa, caso contrário a bicharada dava conta dela. Só de água é que ela precisa.
Ruralidades – As cenouras e alho francês parecem estar a desenvolver-se bem. Estão com a rama muito verde…
António Martins– Posso arrancar uma cenoura para ver como ainda não está em condições de ser apanhada. Assim que saí da terra vem coberta de um pequeno raízame que é facilmente retirado à mão.
Ruralidades – As cenouras foram semeadas ou vieram em pequenas cuvetes?
António Martins – Estas vieram em cuvetes. Têm, de facto, um tamanho muito pequeno para esta altura.
Ruralidades – Quando estão prontas para serem colhidas?
António Martins – Quando a rama começa a ficar escura, amarela. Nota-se logo.
Ruralidades – Sabe qual é a diferença entre semear e plantar?
António Martins – Sei. Para semear temos que ter sementes; para plantar precisamos de uma planta ou árvore que já venha com raiz.
Ruralidades – Uma cenoura pode ser semeada (num alfobre, por exemplo) e depois plantada (quando for para o terreno definitivo)?
António Martins – Não. A cenoura nasce sempre de uma semente – tem sempre que ser semeada. Pode é depois ser transplantada ou replantada para outro local que será o definitivo. Mas isso não significa que estamos a plantar cenoura.
Ruralidades – E depois temos aqui o alho francês. Ainda não espigou. Quando sabemos que está bom para consumo?
António Martins – Geralmente é quando começa a espigar, embora ainda esteja muito longe disso Deve ser apanhado antes das folhas adquirirem uma tonalidade escura, caso contrário começa a deixar de ser tenro. O que se aproveita é a parte branca, mas se a folha começar a ficar escura (é o caso deste) deve ser colhido. Apanhamo-lo, arranjamo-lo, cortamo-lo e congelamo-lo para não se estragar. Vamos lá apanhar um para que possa ver.
Ruralidades – Ainda está muito pequeno, não está?
António Martins - Sim, muito pequeno, mas como já lhe disse este ano foi muito especial - tivemos intempéries e calor forte que deram cabo de tudo, apesar de todos os cuidados que tive. E olhe que aqui nunca faltou nada. O normal seria a parte branca ter à volta de 20 cm. Veja a própria couve, regada todos os dias, e ainda assim, a folha queimou-se. O sol hoje é intenso e no passado o gelo também o foi. Resultado – as verduras estão todas queimadas!
Ruralidades – É pena e de facto rega é o que por aqui não falta. E isto, o que é?
António Martins – É chila (neste momento não tenho nenhuma) e botelha.
Ruralidades – O que é botelha?
António Martins – É a abóbora que costumamos dar aos animais para comerem, é a chamada abóbora porqueira.
Ruralidades – Mas as pessoas não a podem comer?
António Martins – Podem, há muitas pessoas que a utilizam na cozinha, mas não é nada por assim além.
Ruralidades – E de rega? Como é que estamos?
António Martins – Tenho vários tipos: de canhão, de aspersão, por regos. Este último tipo de rega era muito utilizada antigamente. As pessoas abriam pequenos caminhos no terreno que controlavam a passagem da água. É um bom sistema de rega, a água anda junto ao terreno, evitando que nasça tanta erva no meio dos produtos hortícolas.
Ruralidades – Para além deste tipo de rega, ainda tem a rega por canhão, que tem um grande alcance e a rega de aspersão….
António Martins – Sim, é isso. Tudo para que aqui não falte água alguma. Tenho um furo que uso diariamente.
Ruralidades – E estrume? Utiliza?
António Martins – Sim, bastante. O melhor estrume é o de galinha, é muito quente e de inverno a terra aquece. Fresamos o terreno com o tractor e o estrume fica todo na horta. Tenho é que ter o cuidado de por muito mato no galinheiro para depois facilitar o trabalho de retirada do estrume – as folhas de fetos, mato rasteiro, é óptimo para isso. Embora seja um bicho pequeno, é dos que faz mais estrume.
Ruralidades – Bem, resta-me agradecer a entrevista que nos deu e lamentar a pouca sorte que o ano de 2010 trouxe para a horticultura.
Veja aqui a horta do Senhor António Martins























