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Entrevista: Couves de repolho

Lombardo – Como se semeia ou planta uma couve?
Maria Emília – Couve de horto?
Lombardo – Não sei – qual é a diferença entre os vários tipos de couve?
Maria Emília – A couve portuguesa assume várias qualidades (penca, tronchuda, etc.) e é melhor para a sopa e para o cozido, a de horto (também chamada em algumas regiões de couve galega) é mais para fazer caldo verde e para afervorar, migada miudinha com batata e ervilhas, a couve repolho também é muito boa para sopa, cozido, a de lombardo também….
Lombardo – Lombardo? Estranho – esse nome diz-me qualquer coisa…. Adiante. Mas qual é a diferença entre elas? Umas são mais tenras que outras? É uma questão de sabor? De textura? Tamanho?
Maria Emília – (Risos) É um pouco de tudo. Todas são boas para comer. Para mim, a couve portuguesa costuma ser mais tenra, doce e macia. Por isso deve ser usada para os cozidos. As outras são mais rijas. Mas as únicas que se podem comer cruas são a couve roxa e a galega.
Maria Emília – E depois ainda temos a couve-de-bruxelas, couve-brócolo, couve-flor… podem também ser gratinadas, estufadas ou cozidas. Enfim, há um mundo cheio de couves. (risos)
Lombardo – O método para a sementeira é igual para todas elas?
Maria Emília – Sim, é igual.
Lombardo – E o que faz para semear uma couve?
Maria Emília – Semeia-se, deixa-se crescer….
Lombardo – Semeia como?
Maria Emília – Tenho já semente guardada que vai ficando de ano para ano. As couves espigam, aproveita-se a semente que é sujeita a secagem e quando está na altura da sementeira espalha-se um bocadinho das sementes na terra e elas acabam por germinar.
Lombardo – Mas como se espalha a semente?
Maria Emília – Tem que se fazer um alfobro, cobrindo-se as sementes de terra (ao de leve, com pouca profundidade) e quando estiverem em acção transplantam-se para um rego, para o terreno definitivo. Põe-se uma couve de cada vez, com distância de meio metro entre elas.
Lombardo – E aduba?
Maria Emília – Sim.
Lombardo – E rega? Gasta muita água?
Maria Emília – couve de horto não precisa de muita água, mas as outras, como se desenvolvem no verão, têm de se ir regando de vez em quando.
Lombardo – Em que época faz as sementeiras?
Maria Emília – No geral, semeiam-se em Agosto e depois ali em Setembro, Outubro vão-se pondo na terra. Depois costumo transplantá-las em Outubro.
Maria Emília – Assim que as ponho na terra vão crescendo até meados de Fevereiro, Março. Em Agosto e Setembro põem-se muitas – lombardo, coração de boi, bacalã – e depois vão crescendo. Em Março já se garante fartura.
Lombardo – Qual o tipo de couve que mais cresce?
Maria Emília – É a couve de horto, essa é que se faz grande, fica com um troço alto, as outras ficam mais rasteiras.
Lombardo – Quando ficam com o troço/taule muito grande o que é que lhes faz?
Maria Emília – Bem, é sinal que espigaram e está na hora de se cortarem. Servem de comida para os animais, para as galinhas. Não servem para as pessoas comerem.
Lombardo – Gostam de sol?
Maria Emília – Sim, todas elas, sempre ao sol.
Lombardo – Como sabemos que uma couve já está boa para consumo?
Maria Emília – A couve de horto, assim que espiga, deve ser colhida. Em relação às outras temos que aguardar que fiquem em forma de bola, mas chega a um ponto que também começam a colher um espigo. Nessa altura, já não servem para serem consumidas.
Lombardo – E estrume?
Maria Emília – Gostam muito, às vezes espalho os dejectos das galinhas pela terra fora, misturados com algumas folhas de árvores….
Lombardo – Então diga lá, afinal que tipo de couves planta?
Maria Emília – A de horto, lombardo, coração de boi, portuguesa, bacalã.
Lombardo – Outra vez Lombardo…. Estou a ficar intrigado. Continuemos. A coração de boi também é boa para a sopa??
Maria Emília – Sim, para a sopa, para o cozido, para estufados…
Lombardo – Não deixa de ser engraçado a enorme variedade de couves que existem….
Maria Emília – N(Risos) Então – é assim. Não lhe sei responder porquê. Tem a ver com o sabor de cada uma, calculo. Por exemplo, a couve roxa é boa para a salada, já o repolho é utilizado essencialmente para a sopa.
Lombardo – As couves também são alvo de pragas e doenças, certo?
Maria Emília – Sim, veja aqui, as folhas todas picadas pelo bicho….
Lombardo – E que bichos são esses?
Maria Emília – Caracóis, lesmas, os próprios pássaros e até um bichito vermelho e um piolho preto…. tudo come a rama.
Lombardo – As couves dão flor?
Maria Emília – Não dão flor, mas ganham um espigo.
Lombardo – A semente está no espigo?
Maria Emília – Sim, dentro de uma espécie de trocitos com vagens.
Maria Emília – Estas vagens dão uma semente pequena, redonda e escura. As vagens esfarelam-se para cima de uma manta, as sementes caem e ficam a secar durante 2 ou 3 dias. Guardam-se e dão para nova produção no ano seguinte. Isto que está a ver é a semente da couve de horto, que utilizo para fazer os alfobres no final do mês de Agosto.
Lombardo – Obrigado!
















